Associação entre Cognição Materna e Desenvolvimento Neuropsicomotor em Bebês Prematuros

Cognição Materna e Desenvolvimento Neuropsicomotor de Prematuros

Associação entre Cognição Materna e Desenvolvimento Neuropsicomotor em Bebês Prematuros

Autor(es): Heloisa Zanfonatto Cecatto , Júlia Garcia, Tatiane Paludo e Fernanda Cechetti,
Orientador: Raquel Saccani
Quantidade de visulizações: 23

A cognição materna pode influenciar os cuidados, as interações e os estímulos oferecidos à criança, estando associada ao desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM). Em bebês prematuros, essa relação torna-se especialmente relevante devido à maior vulnerabilidade a alterações no desenvolvimento. Assim, este estudo objetivou associar o DNPM com a cognição materna e comparar grupos com diferentes níveis de cognição materna. Trata-se de um estudo observacional, analítico e transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP nº 6.436.286), realizado com 57 bebês prematuros de até seis meses de idade corrigida e suas mães, recrutados em um ambulatório público de alto risco e em uma clínica privada especializada. As mães foram classificadas em grupos de cognição materna adequada (CMA; n=17) e inadequada (CMI; n=40) por meio do Montreal Cognitive Assessment (MoCA). Para a caracterização da amostra, foi aplicado um questionário contendo informações gerais sobre a criança e sua família. O desenvolvimento infantil foi avaliado por meio da Escala Bayley-III, enquanto as condições socioeconômicas e ambientais foram analisadas utilizando os instrumentos ABEP e AHEMD-IS. As variáveis biológicas foram semelhantes entre os grupos, com diferença significativa apenas para o sexo dos bebês (p=0,045). O grupo CMA apresentou maiores médias de idade materna e paterna, melhores escores no MoCA e melhor classificação socioeconômica (p≤0,001), além de maior escolaridade dos pais e renda familiar. No ambiente domiciliar, observaram-se diferenças no domínio “brinquedos para coordenação motora grossa” do AHEMD-IS (p<0,001) e no escore total do instrumento (p=0,045), com melhores classificações no grupo CMA. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos nos domínios da Bayley-III; entretanto, os escores cognitivos apresentaram tamanho de efeito moderado (ES=0,54), sugerindo tendência à melhor desempenho no grupo CMA. Também foram observadas correlações positivas fracas entre os escores do MoCA e os domínios de comunicação expressiva (r=0,26; p=0,027), motricidade fina (r=0,24; p=0,038) e escore motor composto (r=0,25; p=0,028). Conclui-se que mães com cognição adequada apresentaram melhores indicadores socioeconômicos, educacionais e ambientais. Embora não tenham sido observadas diferenças significativas no DNPM entre os grupos, os resultados sugerem associação positiva entre a cognição materna e aspectos do desenvolvimento infantil.

Palavras-chave: Desenvolvimento Infantil, Avaliação Cognitiva de Montreal, Fatores de Risco