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ECOANSIEDADE JUVENIL NO AMBIENTE DIGITAL: MEDIAÇÃO ALGORÍTMICA, VULNERABILIDADE E CONSUMO

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ECOANSIEDADE JUVENIL NO AMBIENTE DIGITAL: MEDIAÇÃO ALGORÍTMICA, VULNERABILIDADE E CONSUMO

Autor(es): Joanna Montemezzo Rocco
Orientador: Cleide Calgaro
Quantidade de visulizações: 70

A intensificação da crise climática global tem produzido impactos que ultrapassam as dimensões ambientais e econômicas, alcançando de forma significativa a saúde mental e emocional das populações, especialmente de adolescentes e jovens. Nesse contexto, destaca-se a ecoansiedade, caracterizada por sentimentos persistentes de medo, preocupação, angústia e insegurança relacionados às mudanças climáticas e à degradação ambiental. O presente artigo analisa a ecoansiedade juvenil a partir da relação entre crise climática, mediação algorítmica e vulnerabilidade digital, investigando como os sistemas de recomendação utilizados por plataformas digitais podem contribuir para a intensificação desse fenômeno e influenciar práticas de consumo no ambiente online. O estudo parte da compreensão de que a experiência contemporânea da crise ambiental é fortemente mediada por plataformas digitais estruturadas por algoritmos que selecionam e priorizam conteúdos com base em critérios de engajamento. Como narrativas relacionadas a desastres ambientais, eventos climáticos extremos e previsões alarmistas tendem a gerar maior envolvimento emocional, esses conteúdos são frequentemente amplificados pelos mecanismos de recomendação. Em razão de sua intensa presença nas redes sociais e de sua condição peculiar de desenvolvimento, adolescentes e jovens tornam-se especialmente vulneráveis à exposição contínua e repetitiva a informações ambientalmente alarmantes, o que pode potencializar sentimentos de ansiedade, medo, impotência e desesperança. Além dos impactos emocionais, o artigo examina os desafios jurídicos relacionados à proteção integral de crianças e adolescentes no ambiente digital. Argumenta-se que os riscos associados à ecoansiedade juvenil não decorrem apenas dos conteúdos individualmente considerados, mas também da própria arquitetura algorítmica das plataformas, orientada pela captura da atenção e pela maximização do engajamento. Nesse contexto, destaca-se a necessidade de mecanismos regulatórios capazes de considerar os efeitos sistêmicos produzidos pela personalização algorítmica sobre sujeitos em condição de especial vulnerabilidade. Por fim, analisa-se a relação entre ecoansiedade e consumo digital. As plataformas digitais utilizam sistemas de publicidade direcionada que transformam emoções e preocupações ambientais em oportunidades de engajamento econômico. Assim, a ecoansiedade pode estimular tanto práticas de consumo sustentável quanto comportamentos consumistas impulsionados por sentimentos de culpa, medo ou necessidade de compensação emocional. Conclui-se que a ecoansiedade juvenil constitui fenômeno complexo, situado na intersecção entre crise climática, tecnologias digitais e proteção de direitos fundamentais, exigindo abordagens multidisciplinares que promovam ambientes digitais mais transparentes e compatíveis com o desenvolvimento saudável de adolescentes.  

Palavras-chave: Ecoansiedade juvenil, Mediação algorítmica, Redes Sociais