DESFECHOS PERINATAIS EM GESTANTES MIGRANTES: EVIDÊNCIAS RECENTES SOBRE PARTO PREMATURO
Autor(es): Eduarda Sonda de Godoy , Verônica Bohm,
Orientador: Ana Maria Paim Camardelo
Quantidade de visulizações: 11
O estudo vincula-se ao projeto “Integração de Trabalhadores Migrantes em uma Empresa da Serra Gaúcha: percepções, desafios e oportunidades”, compondo um eixo ampliado sobre saúde e vulnerabilidades associadas à migração. Embora a migração seja reconhecida como determinante social da saúde, seus impactos sobre os desfechos perinatais permanecem heterogêneos, especialmente entre refugiadas e migrantes em situação irregular. Barreiras de acesso aos serviços de saúde e condições socioeconômicas podem influenciar o risco de parto prematuro e outros desfechos adversos. O objetivo foi sintetizar evidências recentes sobre a associação entre migração materna e parto prematuro. A busca bibliográfica foi realizada em abril de 2026 na PubMed, incluindo estudos publicados entre 2021 e 2026. Utilizaram-se os termos “migrant”, “immigrant”, “refugee” AND “preterm birth”. Foram incluídos estudos observacionais de coorte e caso-controle sobre migração e parto prematuro. Excluíram-se revisões, relatos de caso e artigos sem análise específica para populações migrantes. A busca identificou 11 estudos e, após triagem e leitura dos textos completos, nove estudos compuseram a análise final. Os dados foram sintetizados narrativamente. Como limitação, destaca-se o uso de uma única base de dados. Os estudos incluídos foram predominantemente de coorte e abrangeram Europa, Oriente Médio, América do Norte e Ásia. Embora os resultados tenham sido heterogêneos, a maioria apontou maior risco de desfechos perinatais adversos em grupos de mulheres migrantes, destacando-se parto prematuro, baixo peso ao nascer e natimortalidade. Refugiadas e migrantes indocumentadas apresentaram riscos mais elevados. Barreiras de acesso ao pré-natal, desigualdades socioeconômicas e dificuldades linguísticas foram associadas aos piores desfechos. As variações entre os estudos indicam influência da região de origem, tempo de residência e contexto de acolhimento. Conclui-se que a condição migratória materna pode estar associada a maior risco de parto prematuro e outros desfechos perinatais adversos, especialmente quando combinada à vulnerabilidade social, barreiras de acesso ao pré-natal e restrições estruturais nos serviços de saúde. A heterogeneidade observada também inclui o “paradoxo do imigrante”, em que determinados grupos apresentaram desfechos semelhantes ou mais favoráveis que a população nativa, possivelmente relacionados ao efeito do migrante saudável. Os achados reforçam a necessidade de estratégias de cuidado pré-natal sensíveis ao status migratório e ao contexto de acolhimento.
Palavras-chave: Migração materna , Desfechos perinatais, Vulnerabilidade social