Saber a dor uma da outra: mulheres tradicionais e a constituição de comunidade – revisão bibliográfica

Saber a dor uma da outra: mulheres tradicionais e a constituição de comunidade – revisão bibliográfica

Autor(es): Pablo Corso , Emily Gabriele Reis da Silva, Rafaela Machado Braz e Iago de Nardi,
Orientador: Raquel Furtado Conte
Quantidade de visulizações: 11

Introdução: A colonialidade sustenta-se por processos históricos de hierarquização de corpos, saberes e territórios, articulando patriarcado, racismo e exploração da natureza. Embora as redes de proteção à mulher representem importantes avanços no enfrentamento da violência de gênero, frequentemente operam a partir de uma lógica individualizante e judicializante, centrada na responsabilização do agressor, sem questionar as estruturas socioculturais que produzem e reproduzem a violência. Nesse contexto, povos e comunidades tradicionais constituem espaços de resistência, nos quais mulheres desenvolvem formas coletivas de cuidado, organização política e defesa dos territórios. O objetivo é o de compreender como mulheres de povos e comunidades tradicionais constituem a comunidade como espaço de enfrentamento ao patriarcado e à violência contra a natureza. Realizou-se uma revisão integrativa da literatura nas bases SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Foram incluídos artigos empíricos publicados entre 2007 e 2026, em português, inglês ou espanhol, que abordassem experiências de mulheres pertencentes a povos e comunidades tradicionais brasileiros. Foram incluídos sete artigos empíricos, cujos achados foram organizados em quatro categorias temáticas: (1) trabalho coletivo e reprodução da vida comunitária, evidenciando a centralidade do trabalho feminino e as desigualdades de gênero presentes nos territórios; (2) sororidade e cuidado como práticas de resistência, expressas em redes de apoio mútuo, associações de mulheres e relações de cuidado que incluem seres humanos e não humanos; (3) liderança feminina e participação política, marcadas pela ocupação de espaços de representação comunitária e pelo enfrentamento de barreiras patriarcais; e (4) corpo-território e defesa da natureza, destacando a inseparabilidade entre a proteção dos corpos femininos, da memória coletiva e dos territórios tradicionais. Os estudos indicam que mulheres de povos e comunidades tradicionais produzem formas comunitárias de resistência fundamentadas no trabalho coletivo, na solidariedade, na liderança política e na defesa dos territórios. Tais experiências ampliam a compreensão da proteção para além dos dispositivos institucionais, apontando para perspectivas relacionais, comunitárias e territoriais de enfrentamento da violência de gênero e da degradação socioambiental.

Palavras-chave: Comunidade; Ecofeminismo; Mulheres; Povos e comunidades tradicionais.