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Saber a dor uma da outra: mulheres tradicionais e a constituição de comunidade – revisão bibliográfica

SABER A DOR UMA DA OUTRA: MULHERES TRADICIONAIS E A CONSTITUIÇÃO DE COMUNIDADE Clique na imagem para dar zoom

Saber a dor uma da outra: mulheres tradicionais e a constituição de comunidade – revisão bibliográfica

Autor(es): Pablo Corso , Emily Gabriele Reis da Silva, Rafaela Machado Braz e Iago de Nardi,
Orientador: Raquel Furtado Conte
Quantidade de visulizações: 130

A colonialidade sustenta-se por processos históricos de hierarquização de corpos, saberes e territórios, articulando patriarcado, racismo e exploração da natureza na lógica falocêntrica. Nesse sentido, embora as redes de proteção à mulher representem importantes avanços no enfrentamento da violência de gênero, frequentemente operam a partir de uma lógica individualizante e judicializante, centrada na responsabilização do agressor, sem questionar as estruturas socioculturais que produzem a violência falocêntrica. Articulando formas de combater a violência de gênero, povos e comunidades tradicionais (PCTs) constituem espaços de resistência, nos quais mulheres desenvolvem formas coletivas de cuidado, organização política e defesa da natureza, o que produz perspectivas suscetíveis a inspirar outras formas de atuação da rede de proteção à mulher. O objetivo é compreender como mulheres de PCTs constituem a comunidade como espaço de enfrentamento ao patriarcado e à violência contra a natureza. Realizou-se uma revisão bibliográfica integrativa nas bases SciELO e BVS, e os dados foram tratados pela análise de conteúdo de Minayo (2001). Para organização dos achados, foi utilizada uma Ficha de Leitura, compreendendo principais unidades de registro e unidades de contexto de cada artigo. Foram incluídos artigos completos empíricos publicados entre 2007 e 2026, em português, inglês ou espanhol, que abordassem experiências de mulheres de PCTs brasileiros e a constituição de comunidade, e excluídos artigos duplicados, não-empíricos, artigos incompletos e que fogem da temática. Foram encontrados 193 artigos; após aplicação dos critérios, foram incluídos 7 artigos, organizados em quatro categorias de análise: (1) trabalho coletivo; (2) sororidade e cuidado; (3) liderança feminina; e (4) corpo-território. Os estudos indicam que mulheres de PCTs produzem formas comunitárias de resistência fundamentadas na centralidade do trabalho feminino, no desmantelamento das desigualdades de gênero, no apoio mútuo, nas relações de parentesco e na inseparabilidade entre corpo, território e natureza. Tais experiências ampliam a compreensão da proteção para além dos dispositivos institucionais, apontando para perspectivas relacionais, comunitárias e territoriais de enfrentamento da violência de gênero e da degradação socioambiental, passíveis de inspirar a rede de proteção à mulher.

Palavras-chave: Comunidade; Ecofeminismo; Mulheres; Povos e comunidades tradicionais.