Escuta terapêutica e formação profissional: reflexões a partir da prática em uma clínica-escola

Escuta terapêutica e formação profissional: reflexões a partir da prática em uma clínica-escola

Autor(es): Francielle Teixeira Domingues
Orientador:
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O aumento das demandas relacionadas ao sofrimento psíquico tem acompanhado as transformações sociais contemporâneas. Nesse cenário, a escuta terapêutica destaca-se como instrumento central no cuidado em saúde mental, promovendo acolhimento e construção de significados. Considerando a relevância dessa competência para a prática clínica, este estudo teve como objetivo refletir sobre a contribuição da escuta para a formação profissional do psicólogo, a partir da experiência vivenciada em uma clínica-escola. Trata-se de um relato de experiência, complementado por pesquisa bibliográfica de caráter narrativo, desenvolvido no contexto dos estágios supervisionados em Psicologia. A consolidação da Psicologia como ciência possibilitou o desenvolvimento de diferentes perspectivas voltadas à compreensão do comportamento humano. Gradualmente, a escuta terapêutica tornou-se instrumento fundamental da prática clínica, especialmente com as contribuições voltadas à compreensão da experiência subjetiva (Fadiman, 1986). Além de ferramenta de intervenção, a escuta constitui uma competência profissional complexa, envolvendo conhecimentos teóricos, habilidades técnicas e capacidades relacionais. A literatura aponta que a qualificação da escuta ultrapassa o domínio de métodos específicos, exigindo postura reflexiva e sensível à complexidade das experiências humanas. Nessa perspectiva, Crema (1995) descreve abordagens centradas na técnica, na pessoa ou em uma compreensão integrada do ser humano. De forma convergente, Rogers enfatiza autenticidade, empatia e consideração positiva incondicional como atitudes facilitadoras do processo terapêutico (Nichols, 2007). No contexto da clínica-escola, observou-se que a construção da escuta terapêutica ocorreu articulada às experiências de atendimento, à supervisão clínica e à reflexão sobre a prática. Em diversos momentos, a qualidade do vínculo entre terapeuta e paciente mostrou-se mais relevante para o andamento do processo terapêutico do que intervenções específicas. Tais experiências evidenciaram que a formação clínica envolve não apenas a aprendizagem de técnicas, mas também o desenvolvimento de competências relacionais. Conclui-se que a escuta terapêutica constitui eixo estruturante da formação do psicólogo, sendo a supervisão clínica fundamental para integrar teoria e prática, fortalecer a identidade profissional e aprimorar habilidades clínicas, favorecendo uma atuação ética e comprometida com a singularidade dos sujeitos.

Palavras-chave: Escuta terapêutica, Desenvolvimento do psicólogo, Supervisão clínica