Análise de manuais de identificação de altas habilidades/superdotação: desafios da neurodiversidade na educação

Quando brincar é mais que brincar: identificando AH/SD na infância

Análise de manuais de identificação de altas habilidades/superdotação: desafios da neurodiversidade na educação

Autor(es): Aline Pegoraro Lenzi
Orientador: Carla Beatris Valentini
Quantidade de visulizações: 18

A identificação de crianças com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) na Educação Infantil ainda é um desafio, sobretudo na primeira infância, quando o potencial elevado se manifesta de forma sutil e ligada ao contexto. Reconhecidas pelas políticas públicas como parte da Educação Especial, essas crianças costumam ser avaliadas por instrumentos de origem psicométrica, que sozinhos pouco revelam a riqueza do desenvolvimento infantil. Vinculada ao projeto ProIncluir e à perspectiva da neurodiversidade, a pesquisa buscou compreender o brincar como espaço privilegiado de manifestação de potencial elevado, dialogando com Renzulli e Gardner, que defendem um perfil criativo-produtivo tão relevante quanto o acadêmico, e com Vigotski, para quem a criatividade e a imaginação se desenvolvem a partir das vivências e do contexto da criança. O objetivo foi analisar manuais e instrumentos de identificação de AH/SD voltados à Educação Infantil, embasando estratégias pedagógicas baseadas no brincar para apoiar professores na observação e no acompanhamento desses estudantes. Trata-se de um estudo qualitativo, com revisão de literatura, aprofundamento teórico, participação em eventos acadêmicos e articulação com a prática da pesquisadora como psicopedagoga. A análise mostrou que os instrumentos existentes se aproximam demais dos critérios do Ensino Fundamental, valorizando leitura e escrita precoces e deixando de lado a criatividade, a imaginação, a liderança espontânea e a complexidade simbólica do brincar, em diálogo crítico com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Comportamentos típicos de AH/SD, como intensidade, sensibilidade e questionamento, costumam ser lidos como inadequados, dificultando seu reconhecimento. Na prática profissional, observou-se ainda que dificuldades motoras, de atenção e de frustração nem sempre correspondem a condições clínicas, podendo estar relacionadas ao excesso de tecnologias digitais, com exposição a telas acima de quatro horas diárias, que reduz as vivências lúdicas necessárias ao desenvolvimento da criatividade. Avançou-se na construção de uma matriz comparativa entre marcadores do desenvolvimento e indicadores de potencial elevado, originando um artigo em correção, com previsão de submissão à Revista COCAR. Conclui-se que identificar AH/SD na Educação Infantil exige instrumentos sensíveis ao brincar e às vivências da criança, fortalecendo a formação docente e a equidade educacional desde os primeiros anos escolares.

Palavras-chave: Altas Habilidade/Superdotação, Educação Infantil, Identificação precoce