Saúde Mental Docente: Impacto das Exigências Emocionais na Educação Básica do Rio Grande do Sul

Saúde Mental Docente: Impacto das Exigências Emocionais na Educação Básica do Rio Grande do Sul

Autor(es): Alexandra Carol Cioato
Orientador: Silvana Regina Ampessan Marcon
Quantidade de visulizações: 2

A precarização das condições de trabalho docente constitui um elemento estrutural e persistente no cenário educacional brasileiro, intensificando processos de adoecimento entre professores da educação básica. Dados do Censo Escolar Brasileiro de 2023 evidenciam a continuidade desse quadro, marcado por desvalorização profissional, fragilidade nas condições laborais e insuficiência de políticas sustentáveis de proteção à saúde docente. Estudos apontam que o exercício da docência tem se tornado uma atividade cada vez mais árdua, com repercussões diretas na saúde física, mental e no desempenho profissional dos educadores. Este estudo investiga a influência das exigências emocionais no adoecimento mental de professores da educação básica do Rio Grande do Sul (RS). Ele é um recorte da pesquisa “Fatores Psicossociais e Características do Trabalho dos professores da Educação Básica do RS”, de caráter descritivo e exploratório, que visava identificar os principais fatores psicossociais envolvidos no trabalho desses profissionais, a fim de promover saúde mental, bem-estar e satisfação profissional. Para a coleta destes dados, foi utilizado o questionário Inquérito Saúde e Trabalho (INSAT). Responderam ao instrumento 2518 professores da educação básica do RS, de 340 municípios gaúchos. Os dados obtidos foram analisados por meio de técnicas estatísticas descritivas e inferenciais (uni, bi e multivariada). Os resultados demonstraram que os maiores riscos à saúde mental e bem-estar dos docentes correspondem a questões relacionadas às exigências emocionais (39,4%). Elas estão associadas a lidar com queixas (88%), situações tensas (86,4%) e necessidade de manter empatia (83,9%). A partir das análises das escalas de risco e adoecimento 39,4% dos participantes se encontram em nível alto de risco, 31,2% em nível médio e 29,4% em baixo risco. As exigências emocionais são um dos principais fatores de risco ao adoecimento mental docente, indicando elevado nível de sobrecarga entre professores. Esses achados reforçam a necessidade de políticas e ações institucionais que reduzam a demanda emocional no trabalho e promovam melhores condições para a saúde e o bem-estar dos educadores.

Palavras-chave: Professores da Educação Básica, Exigências Emocionais, Saúde Mental