Narrativa insólita, medo e violência de gênero na literatura latino-americana contemporânea: análises da contística de Agustina Bazterrica.

Narrativa insólita, medo e violência de gênero na literatura latino-americana contemporânea: análises da contística de Agustina Bazterrica.

Autor(es): Isadora Marteninghi Muterle
Orientador: Cristina Loff Knapp
Quantidade de visulizações: 15

O presente trabalho está vinculado ao Grupo de Pesquisa Literatura e Gênero, na Universidade de Caxias do Sul (UCS), ancorado no projeto de pesquisa intitulado “A representação do medo na literatura insólita de autoria feminina latino-americana contemporânea”, coordenado pela professora Dra. Cristina Löff Knapp. Os espaços na qual estamos sujeitos a sentir medo vêm se tornando cada vez mais flutuantes: no espaço urbano, no meio familiar e em espaços rotineiros, nos encontrando sem aviso prévio, e quando falamos em violência, esses espaços se fixam menos ainda. Ao assistir telejornais ou ler notícias recentes, é comum deparar-se com dados alarmantes sobre violência contra a mulher e abusos infantis. Só no estado do Rio Grande do Sul, até maio de 2026, foram registrados 35 feminicídios. Portanto, na perspectiva de que a literatura é uma representação que se inspira na realidade, textos que exploram tais casos de violência por meio do horror social têm sido cada vez mais comuns e relevantes para sensibilizar e atuar como crítica aos dados alarmantes. Sendo assim, tem-se por objetivo analisar os contos “O Hálito do Lobo” e “Terra”, de Agustina Bazterrica, publicados na obra Dezenove garras e um pássaro preto (2023), a fim de discutir a construção do sentimento de medo e a consequente violência de gênero em uma narrativa insólita contemporânea escrita por uma mulher. A metodologia de pesquisa é bibliográfica balizada pelos autores Bauman (2022) e Delumeau (2007) para enfocar o medo, Roas (2014) e Campra (2016) conceituando o gênero fantástico, Carroll (1999), França (2017)  e Cohen (2020) centralizando a discussão no horror e na figura monstruosa e finalizando com Saffioti (2015), Segato (2025), Rose (2022), Telles (2022), Alves e Pitanguy (2022) e Campos; Machado; Nunes e Silva (2017) sobre violência de gênero. A análise que sucede deste estudo constitui-se da aclimatização de ambos os contos para denunciar os agressores da sociedade e seus comportamentos como figuras monstruosas, além da forma como eles constituem os medos modernos relacionados à violência de gênero configurada especificamente no aspecto intrafamiliar.

Palavras-chave: medo, violência de gênero, Agustina Bazterrica