A opressão heronormativa familiar: uma análise do conto "Não fique tempo demais no atoleiro", de Camila Sosa Villada
Autor(es): David Marques de Ramos
Orientador: Cristina Loff Knapp
Quantidade de visulizações: 16
O presente trabalho está vinculado ao Grupo de Pesquisa Literatura e Gênero,
da Universidade de Caxias do Sul (UCS), ancorado no projeto de pesquisa intitulado “A
representação do medo na literatura insólita de autoria feminina latino-americana
contemporânea”, coordenado pela professora doutora Cristina Löff Knapp, e levanta
questões como: se a infância é uma etapa crucial para o desenvolvimento de um
indivíduo, quais são seus efeitos sobre um oprimido congênito? Se não se vislumbra
integrante de um corpo social, como não se tornar um simulacro da normalidade? Antes
de apurar essas perguntas, é preciso retornarmos à família. É nela que se restringe a
sexualidade, em nome das regras impostas pela sociedade patriarcal. É nesse espaço
também que a criança homossexual ocupa o “lugar estranho”, uma vez que, segundo
Foucault (1988), a família conjugal confiscou a sexualidade e calou qualquer dúvida a
seu respeito. Logo, o objetivo desta pesquisa é analisar a heteronormatividade nos
personagens masculinos do conto “Não fique tempo demais no atoleiro”, de Camila
Sosa Villada (escritora argentina travesti), que integra a obra de contos Sou uma tola
por te querer (2022), compreendendo como essa concepção reprime o sujeito queer
(expressão que pode ser vista como uma insubordinação ao hétero e ao binário). Assim,
este estudo apoia-se na teoria queer, que será revisitada por meio de estudos de Michel
Foucault (1988), Freud (1974), Marilena Chauí (1984), Heleieth Saffioti (1987), Paul B.
Preciado (2022) e Teresa de Lauretis (2021). Trata-se de um tema atual, que relaciona
estudos de gênero e crítica literária latino-americana, portanto, o recorte estudado é
original. Conclui-se que a violência manifestada por um dos personagens, Ricardo
Camacho, é uma espécie de válvula de escape para que não demonstre a sua fragilidade
diante do sujeito feminino. Ademais, nota-se que a opressão, como forma de imposição
de uma conduta e de uma sociedade patriarcal e capitalista, é marcada com veemência
na narrativa de Villada. Essas conclusões oportunizam reflexões acerca de concepções
de representatividade e autenticidade dissidentes.
Palavras-chave: Teoria queer, Repressão sexual, Camila Sosa Villada