Medo e corpo violado: a violência intrafamiliar no conto “O Caso de Rute”, de Júlia Lopes de Almeida

Medo e corpo violado: a violência intrafamiliar em Júlia Lopes de Almeida

Medo e corpo violado: a violência intrafamiliar no conto “O Caso de Rute”, de Júlia Lopes de Almeida

Autor(es): Ana Julia de Bairros
Orientador: Cristina Loff Knapp
Quantidade de visulizações: 16

  O presente trabalho está vinculado ao Grupo de Pesquisa Literatura e Gênero, na Universidade de Caxias do Sul (UCS), ancorado no projeto de pesquisa intitulado “A representação do medo na literatura insólita de autoria feminina latino-americana contemporânea”, coordenado pela professora Dra. Cristina Loff Knapp. O medo relacionado às violências de gênero é praticamente natural nas vivências femininas e faz-se presente há tempos. Entre as desumanidades realizadas contra as mulheres encontra-se a violência sexual. Nos inúmeros casos registrados, parte significativa acontece dentro do núcleo familiar. À vista disso, torna-se relevante a leitura e análise de textos que relacionam-se com essa temática, a fim de refletir a acerca da necessidade de debater tais ocorrências e os direitos negados às mulheres. Assim, o objetivo desta comunicação é discutir como acontece a violência de gênero no conto “O caso de Rute”, de Júlia Lopes de Almeida, publicado na obra Ânsia eterna. Para mais, buscou-se observar como é construída a violência contra a mulher em um conto do século XX trazendo à tona não somente o abuso sexual, mas o social e o psicológico, tendo como consequência o sentimento de medo. A metodologia de pesquisa utilizada é de natureza bibliográfica ancorada em autores como Saffioti (1987 e 2015) para discutir a violência sexual e Todorov (1992), Santos (2017),  Paula Júnior (2011)  e França (2020 e 2022) no que se referem ao insólito, ao gótico feminino e ao medo. A partir das leituras baseadas na fundamentação teórica e no conto de Almeida foi possível perceber o interminável sistema de abusos que a mulher suportava e permanece suportando na atualidade. Embora vítimas dessas agressões sexuais, tanto Rute quanto as mulheres de nossa sociedade, são consideradas culpadas e tem sua liberdade roubada. Almeida, através de uma narrativa fantástica que ocasiona o sentimento de medo, realiza uma denúncia a respeito do abuso sexual intrafamiliar, evidenciando o silenciamento e a impotência da mulher diante de uma sociedade que a oprime dentro do ambiente privado, ou seja, a sua própria casa. Assim sendo, o conto estudado é extremamente significativo para a compreensão de como se constrói violência de gênero e o abuso intrafamiliar. Além de representar a solidão feminina consumada nesse contexto violento. 

Palavras-chave: Insólito, Violência de gênero, Júlia Lopes de Almeida