Parâmetros ultrassonográficos do deslocamento do osso hioide na deglutição em indivíduos saudáveis e pacientes internados em UTI

Parâmetros ultrassonográficos do osso hioide em saudáveis e pacientes de UTI

Parâmetros ultrassonográficos do deslocamento do osso hioide na deglutição em indivíduos saudáveis e pacientes internados em UTI

Autor(es): Letícia Aparecida Fonseca Branco , Cristina Carvalho de Castilhos,
Orientador: Guilherme Auler Brodt
Quantidade de visulizações: 85

Introdução e problema de pesquisa: A deglutição adequada exige coordenação entre o fechamento da via aérea e a passagem do alimento pelo trato digestório. Quando esse processo é ineficiente, há risco de aspiração laringotraqueal, frequente em pacientes de unidade intensiva (UTI). A ultrassonografia (USG) tem se destacado na avaliação da deglutição por ser acessível, sem radiação e de baixo custo, permitindo analisar parâmetros associados ao risco de aspiração. Entretanto, ainda não há valores de referência ou consenso estabelecido para o exame, justificando este estudo. Objetivos: Analisar a deglutição por USG em indivíduos saudáveis e pacientes de UTI. Métodos: Trata-se de um estudo transversal realizado em duas etapas. Na primeira, 20 indivíduos saudáveis foram avaliados em duas coletas distintas para verificar a repetibilidade das medidas. Na segunda, avaliaram-se 42 voluntários distribuídos em grupo controle (GC), grupo sem ventilação mecânica (GSV) e grupo com ventilação mecânica (GCV). Em ambas as etapas, os participantes tiveram sua deglutição avaliada nas consistências saliva, líquido (água) e iogurte, mensurando os movimentos do osso hioide e da cartilagem tireoide, e as variáveis foram: posição de repouso, máxima aproximação entre as estruturas e deslocamento absoluto (DA) em centímetros e deslocamento relativo (DR) em porcentagem. Todas as avaliações foram realizadas por um mesmo examinador. Resultados: Não houve diferença entre os momentos de coleta (p>0,005). Para as consistências, saliva e líquido apresentaram valores semelhantes de aproximação, e o iogurte a menor distância entre as estruturas (p=0,001). Para o DA, o iogurte teve maior mobilidade em relação à saliva, sem diferença entre saliva e líquido ou entre líquido e iogurte (p=0,004). Para o DR, o iogurte apresentou maior deslocamento (p=0,001). Na comparação entre grupos, o GCV diferiu significativamente do GC em todas as variáveis analisadas (p<0,005), enquanto o GSV apresentou valores intermediários aos demais grupos. Conclusão: As medidas ultrassonográficas mostraram-se repetíveis. O iogurte promoveu maior deslocamento das estruturas, e o GCV apresentou a menor mobilidade, sugerindo maior risco de aspiração pós-extubação. Diferenças discretas entre o GSV e os demais indicam a necessidade de maior investigação sobre a influência da UTI. Os achados reforçam a relevância da USG e sua aplicabilidade na triagem de risco de broncoaspiração à beira leito e definição de via alimentar.

Palavras-chave: Ultrassonografia , Deglutição , Osso hioide