Pedagogia Crítica e Clínica: a partir da obra de Fernand Deligny (1913-1996)
Autor(es): Luiza Juliana Debus Stake
Orientador: Sonia Regina da Luz Matos
Quantidade de visulizações: 124
Fernand Deligny, figura importante para a educação francesa, construiu um espaço de convivência junto a crianças denominadas pelas instituições da época como “anormais” e "delinquentes", usando seu título de educador como criador de circunstâncias. Criava ateliês de atividades pedagógicas e circunstâncias de convivência com os jovens. Com eles, compôs três experiências, denominadas por ele de tentativas: Armentières, La Grande Cordee e Cevennes. Nesta pesquisa, foca-se na segunda tentativa, na qual Deligny organizou uma rede por toda a França recebendo jovens que não se adaptavam nas instituições. Ali, eles tiveram a oportunidade de participar de diferentes atividades, como o camerar. Assim, o objetivo geral consiste em extrair o conceito de camerar, criado pelo autor, visando uma possível articulação com uma pedagogia crítica e clínica da diferença. A metodologia usada foi bibliográfica-conceitual do livro em francês: “Camérer. À propos d'images” (Deligny, 2021), traduzido pela bolsista. A obra, organizada por estudiosos como Marlon Miguel e Sandra Alvarez de Toledo, foi dividida em três partes: Camérer (1978-1981), Film fossile (1982) e IMAGES (1988-1996). Como resultados ocorreram a tradução de 390 páginas e a elaboração de um glossário, intitulado Le Moindre Dictionnaire (Deligny, 1983, p. 86) composto por 47 verbetes. Delas, foram destacados dois conceitos centrais do ato de camerar extraídos como parte da pedagogia crítica e clínica da diferença: camerante - designa quem está com a câmera para registrar e acompanhar, sem impor uma narrativa - e imagem - um fragmento do real que escapa à linguagem e a intenção. Com o ato de camerar, a função do camerante opera a partir do ponto de ver e as imagens produzidas no espaço pedagógico não visam representar ou explicar, mas guardar rastros e refratar o real. Portanto, a obra nos permite perceber o espaço da clínica na pedagogia como o ato de camerar, pela existência em espaços educativos que experiência as práticas pedagógicas pelas singularidades. A contribuição desta pesquisa sobre a clínica do ato de camerar é alargar outras possibilidades de se fazer pedagogia, sem exercer práticas de disciplinamento, de adaptabilidade educativas e de desconstruir os discursos patologizados nos espaços institucionais da educação.
Palavras-chave: Fernand Deligny, Pedagogia, Diferença