×

DA OBJETIFICAÇÃO À NEGAÇÃO DO RECONHECIMENTO: DEEPFAKES E VIOLÊNCIA DE GÊNERO NA ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Da Objetificação à Negação da Subjetividade Feminina Clique na imagem para dar zoom

DA OBJETIFICAÇÃO À NEGAÇÃO DO RECONHECIMENTO: DEEPFAKES E VIOLÊNCIA DE GÊNERO NA ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Autor(es): Rafaela Machado Braz , Raquel Furtado Conte; Pablo Corso,
Orientador: Raquel Furtado Conte
Quantidade de visulizações: 50

O avanço das tecnologias de inteligência artificial tem produzido novos desafios éticos, jurídicos e psicossociais. Entre essas tecnologias, os deepfakes destacam-se pela capacidade de gerar imagens e vídeos hiper-realistas por meio da manipulação digital de rostos e corpos, sendo amplamente utilizados na produção e disseminação de conteúdos íntimos não consensuais envolvendo mulheres. Considerando que a violência pode operar por meio da negação do reconhecimento do outro como sujeito, conforme proposto por Jessica Benjamin, questiona-se: de que maneira os deepfakes contribuem para processos contemporâneos de objetificação e negação do reconhecimento da subjetividade feminina? O objetivo é analisar como a produção e a circulação de deepfakes íntimos operam como formas contemporâneas de violência de gênero, discutindo seus impactos psicossociais a partir dos estudos feministas e da psicanálise. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e bibliográfica, com levantamento em bases de dados nacionais e internacionais e referencial teórico composto por Simone de Beauvoir, Rita Segato, Judith Butler, Donna Haraway e Jessica Benjamin. Os resultados identificaram três eixos de discussão. O primeiro refere-se à objetificação digital do corpo feminino pela utilização não consentida da imagem de mulheres. O segundo relaciona-se à ampliação das vulnerabilidades digitais, uma vez que a disseminação dessas imagens favorece exposição pública, humilhação, controle e violência simbólica, práticas que são potencializadas pelo anonimato e pela impunidade em rede. O terceiro envolve os impactos subjetivos da perda de controle sobre a própria imagem, incluindo vergonha, angústia, isolamento e sofrimento psíquico. A partir de Benjamin, compreende-se que a violência ultrapassa a exposição do corpo: ao reduzir a mulher a objeto de apropriação digital, nega-se sua condição de sujeito. Conclui-se que os deepfakes constituem uma forma emergente de violência de gênero que articula tecnologia, poder e desigualdade. Mais do que reproduzir mecanismos tradicionais de objetificação, essas práticas promovem a negação da subjetividade feminina e ampliam formas de sofrimento associadas à exposição digital. A pesquisa evidencia a necessidade de estratégias interdisciplinares que integrem Psicologia, Direito, educação digital e regulação tecnológica.

Palavras-chave: violência de gênero, deepfakes, subjetividade feminina