Infâncias em tempos acelerados e a rotina das crianças na vida cotidiana e na escola

Infâncias em tempos acelerados e a rotina das crianças na vida cotidiana e na escola

Autor(es): Maria Eduarda Rezende de Souza da Silva , Debora Salvador Bizotto ,
Orientador: Nilda Stecanela
Quantidade de visulizações: 4

Este trabalho integra o projeto Futures Literacy para a Educação e tem como objetivo compreender como crianças de diferentes faixas etárias utilizam o tempo livre durante o recreio escolar. A pesquisa parte da ideia de que o brincar é uma parte importante da infância, contribuindo para o desenvolvimento da criatividade, da socialização e da construção de conhecimentos sobre si mesmas e sobre o mundo. No entanto, percebe-se que as crianças têm cada vez menos oportunidades de brincar livremente devido às rotinas marcadas por atividades escolares e compromissos extracurriculares, o que tem gerado discussões sobre a aceleração da infância e suas implicações. A pesquisa está sendo realizada por meio de observações etnográficas durante os recreios de uma escola, envolvendo crianças de 4 a 8 anos de idade. Em cada recreio, foram observados no mínimo 40 estudantes durante os 20 minutos destinados a esse momento. O objetivo foi analisar como as crianças utilizam esse tempo, observando suas brincadeiras, interações e percepções sobre o tempo livre. As análises dialogam com autores dos Estudos da Infância e da Sociologia da Infância, além das contribuições de Oliveira e Araújo (2019), que destacam o recreio como um espaço importante para a construção das culturas infantis e para as relações entre as próprias crianças. As observações realizadas até o momento mostraram diferenças entre os grupos etários. As crianças de 4 a 6 anos demonstraram grande envolvimento com brincadeiras, corridas e jogos coletivos, evidenciando que o brincar ocupa um papel central em suas experiências. Nesse grupo, não foram percebidas preocupações com o tempo ou com o fim das atividades. Já entre as crianças de 6 a 8 anos, observou-se uma maior variedade de interesses. Além de brincar, muitas aproveitavam o recreio para conversar ou descansar. Também são frequentes comentários sobre compromissos, atividades planejadas e acontecimentos futuros, indicando uma maior percepção da passagem do tempo e da organização da rotina. Conclui-se que, conforme crescem, as crianças passam a se relacionar de maneira diferente com o tempo livre e com o brincar, incorporando gradualmente formas de organização temporal mais próximas das vivenciadas pelos adultos. Os resultados reforçam a importância do recreio como um espaço privilegiado para compreender as experiências e as culturas da infância e fazem emergir uma questão central para a continuidade da pesquisa: esses deslocamentos na forma como as crianças vivenciam o tempo e o brincar são próprios do desenvolvimento infantil ou refletem influências das pressões e expectativas do mundo adulto sobre a infância contemporânea? Palavras-chave: Aceleração das infâncias; tempo livre; brincar; recreio escolar.

Palavras-chave: Aceleração das infâncias , Tempo livre , Recreio escolar