A teoria da ação de Aristóteles: o que é uma ação voluntária, involuntária, não voluntária e mista?

Autor(es): Victor Antonio Girardi Lorenzoni
Orientador: Lucas Mateus Dalsotto
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A teoria da ação de Aristóteles
A filosofia prática de Aristóteles, especialmente na obra Ética a Nicômaco, dedica parte central de sua análise à compreensão do que torna uma ação moralmente atribuível a um agente. A distinção entre ações voluntárias, involuntárias, não voluntárias e mistas constitui um dos fundamentos dessa teoria. O presente estudo tem como objetivo analisar os critérios que Aristóteles utiliza para definir os diferentes tipos de ações, com ênfase na ação voluntária, que corresponde ao que se pode chamar na contemporaneidade de ação intencional. A metodologia utilizada foi a teórica-bibliográfica partindo da leitura e análise conceitual dos livros I, II, III e V da obra Ética a Nicômaco — buscando identificar e sistematizar os elementos centrais da teoria aristotélica da ação. Os resultados apontam que uma ação voluntária deve atender a dois requisitos fundamentais: (I) partir do próprio agente, ou seja, não ser fruto de coação externa, e (II) ser realizada com conhecimento das circunstâncias particulares da ação. Já as ações involuntárias são aquelas feitas sob compulsão ou por ignorância, sendo que, caso não haja arrependimento, se torna uma ação não voluntária. Por fim, Aristóteles também reconhece ações mistas, nas quais há algum grau de escolha mesmo sob pressão externa, como no exemplo clássico de jogar a carga de um navio ao mar durante uma tempestade para salvar a tripulação. Conclui-se que a teoria aristotélica da ação oferece uma estrutura refinada para compreender o papel da deliberação, da liberdade e do conhecimento na ação humana. Essa distinção não apenas fundamenta a atribuição de responsabilidade ética, mas também revela a complexidade da experiência moral.

Palavras-chave: Ação, Ética, Deliberação