Literatura infantil e migração internacional: um possível estado da arte (2016–2026)

Literatura infantil e migração internacional: um possível estado da arte

Literatura infantil e migração internacional: um possível estado da arte (2016–2026)

Autor(es): Carine Butelli Bono , Simone Viapiana,
Orientador: Flávia Brocchetto Ramos
Quantidade de visulizações: 10

À medida que o número de crianças em deslocamento cresce globalmente, torna-se primordial discutir o acolhimento desse grupo. Nesse cenário, a literatura surge como alicerce simbólico para que jovens migrantes sintam-se representados, enquanto os não migrantes cultivam empatia para acolher os novos colegas. Contudo, torna-se necessário que essa representação seja construída de forma literária, distanciando-se de pedagogismos. Diante disso, o objetivo deste estudo foi mapear e analisar a produção acadêmica brasileira sobre literatura infantil e migração internacional no período de 2016 a 2026, identificando como as pesquisas representam a criança migrante, quais obras mobilizam e as contribuições trazidas para o acolhimento na infância. Para isso, realizou-se um estudo de natureza qualitativa, exploratória e do tipo estado da arte. As buscas foram operadas nas bases de dados Portal de Periódicos Capes (CAFe), Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), Scielo e Scispace, utilizando os descritores “Migra* AND literatura infantil” e “Migra* AND educação”. O levantamento bibliográfico resultou na seleção de duas teses e seis artigos que atenderam aos critérios de inclusão. Os dados revelaram que as obras literárias selecionadas nos estudos apresentam as crianças migrantes de forma estética e sensível, colaborando para a humanização e a geração de empatia. Ademais, a literatura assume-se como uma aposta política e estética, e não apenas pedagógica, pois revela aspectos diversos das migrações, como crises econômicas e situações de guerra, além de expor os desafios vivenciados pela falta de políticas públicas de integração. Desse modo, os estudos sugerem que tais obras atuam como mediadoras interculturais e espaços simbólicos de resistência que podem contribuir para o enfrentamento de preconceitos. Conclui-se, portanto, que a literatura infantil consolida-se como um potente objeto estético, ético e político, fundamental para a representação e a resistência da criança migrante, revelando-se um campo de estudo urgente para a formação docente e para o desenvolvimento de práticas humanizadoras na educação básica. 

Palavras-chave: literatura infantil, migrações, criança-migrante