INTERSECCIONALIDADE NA PREVALÊNCIA DE HIPERTENSÃO ARTERIAL E DIABETES EM MULHERES TRABALHADORAS DA SAÚDE

INTERSECCIONALIDADE NA PREVALÊNCIA DE HIPERTENSÃO ARTERIAL E DIABETES EM MULHERES TRABALHADORAS DA SAÚDE

Autor(es): Luana Pelizza , Heloísa Theodoro, Karina Giane Mendes, Simone Bonatto, Suzete Marchetto Claus, Jéssica Trevisan, Annelise Fochesatto, Júlia Dusso Brustolin e Valéria Pretti Schumann,
Orientador: Heloísa Theodoro
Quantidade de visulizações: 31

Introdução: No Brasil, a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e o Diabetes Mellitus (DM) são doenças crônicas de elevada prevalência, afetando 27,9% e 20% da população, respectivamente. Condições adversas de trabalho, vivenciadas por profissionais de saúde, somadas à interseccionalidade de marcadores sociais, como raça/cor da pele e idade, podem aprofundar iniquidades em saúde, tornando grupos específicos mais vulneráveis ao adoecimento cardiovascular e metabólico. Objetivos: Avaliar a associação entre a interseccionalidade (raça/cor da pele e idade) e a prevalência de HAS e DM em mulheres trabalhadoras da saúde. Métodos: Trata-se de um estudo transversal composto por enfermeiras, técnicas de enfermagem e agentes comunitárias de saúde da Atenção Básica de um município do Sul do Brasil. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevista, composta por um questionário estruturado e instrumentos validados. A presença de HAS e DM foi avaliada por meio de uma questão sobre saúde geral, que identificava o uso continuado de medicamentos para essas patologias. A raça/cor da pele foi autorreferida. A variável de exposição foi a interseccionalidade, categorizada em mulheres brancas com idade <50 anos e mulheres pardas ou negras com idade  ≥50 anos. Para verificar a associação entre as variáveis estudadas, utilizou-se o teste de Qui-Quadrado de Pearson. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) sob o parecer número 7.134.723. Resultados: A amostra totalizou 857 mulheres, distribuídas entre brancas <50 anos (n=487; 56,8%) e mulheres pardas ou negras com ≥50 anos (n=370; 43,2%). A prevalência geral de uso de medicamentos para HAS foi de 18,6% (n=163) e para DM foi de 6,7% (n=59). Mulheres pardas ou negras com ≥50 anos apresentaram maior prevalência de HAS do que as mulheres brancas com <50 anos (28,1% vs. 11,5%; p<0,001). Da mesma forma, o uso de medicação para DM foi significativamente mais frequente entre mulheres pardas ou negras com ≥50 anos (11,1%) em relação às brancas com <50 anos (3,4%; p<0,001). Conclusão: A prevalência de HAS e DM entre trabalhadoras da saúde apresentou diferenças entre os grupos analisados, sendo maior entre mulheres pardas ou negras com idade  ≥50 anos. Esses achados evidenciam a presença de iniquidades em saúde relacionadas à interseccionalidade de fatores sociais e demográficos, reforçando a necessidade de políticas públicas e estratégias ocupacionais direcionadas à redução dessas disparidades entre essas trabalhadoras da área da saúde. Palavras-chave: interseccionalidade; hipertensão; diabetes mellitus Autores: Heloísa Theodoro, Karina Giane Mendes, Simone Bonatto, Suzete Marchetto Claus, Luana Pelizza, Jéssica Trevisan, Annelise Fochesatto, Júlia Dusso Brustolin e Valéria Pretti Schumann. 

Palavras-chave: interseccionalidade, hipertensão, diabetes mellitus