Variabilidade intrassemanal da marcha e da mobilidade funcional em pacientes em hemodiálise: associação com hemoglobina e fatores clínicos

Variabilidade intrassemanal da marcha em hemodiálise: associação com hemoglobina

Variabilidade intrassemanal da marcha e da mobilidade funcional em pacientes em hemodiálise: associação com hemoglobina e fatores clínicos

Autor(es): Luiza Trevisol Dal Ponte , Nicoly Soares Lima, Mônica de Oliveira Melo,
Orientador: Guilherme Auler Brodt
Quantidade de visulizações: 15

A hemodiálise é essencial para pacientes com doença renal avançada; porém, o intervalo interdialítico longo favorece o acúmulo de líquidos e solutos, resultando em alterações hidroeletrolíticas e hemodinâmicas que podem comprometer o desempenho físico. Embora reconhecido na prática clínica, o impacto desse fenômeno sobre a marcha e a mobilidade ao longo da semana dialítica permanece pouco compreendido. O objetivo foi avaliar a variação intrassemanal dos parâmetros da marcha e da mobilidade funcional em pacientes em hemodiálise, e sua associação com variáveis clínicas e laboratoriais. Foram avaliados 23 pacientes em programa regular de hemodiálise em três dias da semana dialítica (após o intervalo interdialítico longo, no dia intermediário e no último dia da semana). Os parâmetros da marcha foram obtidos por sensor inercial portátil, e a mobilidade funcional avaliada pelo teste Timed Up and Go (TUG). A variabilidade intrassemanal foi determinada pelo coeficiente de variação (CV). As comparações entre os dias foram realizadas por análise de variância para medidas repetidas e as associações com variáveis clínicas e laboratoriais por correlação de Spearman. Valores de p<0,05 foram considerados significativos. Foram observadas diferenças significativas entre os dias para velocidade da marcha (p<0,001), cadência (p=0,001), comprimento da passada (p=0,036) e TUG (p=0,006), com pior desempenho no primeiro dia após o intervalo interdialítico longo. Não houve diferença para simetria da marcha (p=0,385) e duplo apoio (p=0,391). Menores níveis de hemoglobina correlacionaram-se com maior variabilidade da velocidade da marcha (ρ=-0,722; p<0,001) e do comprimento da passada (ρ=-0,737; p<0,001). O tempo de tratamento dialítico correlacionou-se positivamente com a variabilidade da cadência (ρ=0,465; p=0,025) e do comprimento da passada (ρ=0,434; p=0,039). Em modelos ajustados para idade e tempo em hemodiálise, a hemoglobina permaneceu independentemente associada ao CV da velocidade (β=-0,597; p=0,002) e ao CV do comprimento da passada (β=-0,693; p<0,001). Concluiu-se que pacientes em hemodiálise apresentam pior desempenho funcional após o intervalo interdialítico longo e que menores níveis de hemoglobina associam-se à maior variabilidade intrassemanal da marcha, sugerindo possível influência da anemia na estabilidade funcional dessa população. Isso reforça a importância do monitoramento funcional e do manejo de fatores modificáveis em pacientes dialíticos.

Palavras-chave: Hemodiálise, Marcha, Hemoglobina