Marcadores do DMO-DRC associam-se à pior simetria da marcha em pacientes dialíticos
Autor(es): Maria Eduarda Silva Rodrigues , Nicoly Soares Lima,
Orientador: Guilherme Auler Brodt
Quantidade de visulizações: 16
A doença renal crônica (DRC) associa-se a complicações sistêmicas que comprometem a funcionalidade, incluindo o distúrbio mineral e ósseo da DRC (DMO-DRC). Alterações nos níveis de cálcio, fósforo, paratormônio (PTH) e fosfatase alcalina podem impactar o tecido musculoesquelético, favorecendo redução da força muscular e alterações da marcha. Embora a marcha seja considerada um marcador funcional sensível nessa população, a relação entre marcadores do DMO-DRC e parâmetros quantitativos da marcha ainda é pouco compreendida. Este estudo, teve como objetivo investigar a associação entre marcadores do DMO-DRC, parâmetros da marcha, força muscular e fragilidade em pacientes submetidos à terapia dialítica. Trata-se de um estudo transversal envolvendo pacientes em hemodiálise e diálise peritoneal. Foram avaliados parâmetros da marcha por meio de sensor inercial BAIOBIT®, incluindo velocidade, comprimento da passada, duplo apoio e simetria. A força muscular foi mensurada por dinamometria manual, pela média de três medidas. Também foram coletados dados laboratoriais de cálcio, fósforo, paratormônio (PTH) e fosfatase alcalina. A fragilidade foi avaliada por fenótipo de Fried. Foram realizadas análises de correlação de Spearman, comparação entre grupos por teste de Mann-Whitney e regressão logística binária. Foram avaliados 27 pacientes, com idade média de 45,1 ± 10,7 anos. A simetria da marcha apresentou correlação negativa com os níveis de PTH (ρ=-0,481; p=0,017) e fosfatase alcalina (ρ=-0,467; p=0,021), indicando pior simetria em indivíduos com maiores concentrações desses marcadores. O handgrip correlacionou-se negativamente com o escore de fragilidade (ρ=-0,462; p=0,015) e com o tempo de tratamento dialítico (ρ=-0,388; p=0,046). Não foram observadas associações significativas entre fragilidade e parâmetros da marcha. Em modelo de regressão logística ajustado para idade, a fosfatase alcalina permaneceu independentemente associada à alteração da simetria da marcha (OR=0,964; IC95%: 0,931–0,999; p=0,044), enquanto o PTH perdeu significância após ajuste. Conclui-se que marcadores relacionados ao DMO-DRC, especialmente a fosfatase alcalina, associam-se a alterações da simetria da marcha em pacientes dialíticos. Esses achados sugerem que alterações do metabolismo mineral podem estar relacionadas a modificações precoces do controle locomotor, independentemente da fragilidade global, contribuindo para a compreensão dos mecanismos funcionais envolvidos na DRC.
Palavras-chave: Doença renal crônica;, Distúrbio mineral e ósseo;, Marcha