INFLUÊNCIA DA ATIVIDADE FÍSICA E PERFIL NUTRICIONAL NOS SINTOMAS RELACIONADOS AO TRATAMENTO ONCOLÓGICO EM PACIENTES COM CÂNCER
Autor(es): Helena Bellini Bohmer
Orientador: Pedro Lopez da Cruz
Quantidade de visulizações: 85
Evidências preliminares sugerem que melhores níveis de atividade física e estado nutricional podem contribuir para o controle de sintomas durante o tratamento para o câncer. Entretanto, ainda são limitadas as evidências sobre essa associação em contextos clínicos reais. Portanto, esse projeto teve como objetivo comparar os sintomas relacionados ao tratamento oncológico entre pacientes com pelo menos um indicador favorável de estilo de vida (≥150 minutos/semana de atividade física e/ou ausência de risco nutricional) e pacientes com perfil desfavorável em ambos os indicadores. Trata-se de um estudo transversal com pacientes do Hospital Geral de Caxias do Sul e Hospital Bruno Born. Os níveis de atividade física (Godin-Shephard Leisure-Time Physical Activity Questionnaire), estado nutricional (Escala Subjetiva Global do Estado Nutricional) e sintomas (European Organization for Research and Treatment of Cancer QLQ-C30) foram avaliados por questionários validados. A amostra incluiu 699 participantes, com idade média de 58,9 ±13,5 anos, sendo a maioria mulheres (58,9%), com sobrepeso/obesidade (59,5%), sem ensino superior (89,5%), renda de até 2 salários-mínimos (78,9%), doença avançada (estágio III-IV; 56,8%) e em tratamento quimioterápico (82,8%). Os tumores mais comuns foram gastrointestinais e de mama (43,3%). Ao todo, 350 pacientes apresentavam pelo menos um indicador favorável de estilo de vida (EV+), enquanto 324 apresentaram ausência de ambos os indicadores (EV-). Os grupos apresentaram características demográficas e clínicas relativamente semelhantes, com exceção da situação financeira (p=0,009) e o estadiamento (p=0,003). Após ajuste para variáveis sociodemográficas, clínicas e comportamentais, o grupo EV+ apresentou menores escores médios para fadiga (β [IC95%]=-20,30 [-24,79; -15,81]), náuseas/vômitos (β [IC95%]=-15,74 [-19,37; -12,11]), dor (β [IC95%]=-17,85 [-23,11; -12,60]), dispneia (β [IC95%]=-7,97 [-12,58; -3,35]), insônia (β [IC95%]=-9,70 [-15,80; -3,60]), perda de apetite (β [IC95%]=-23,91 [-28,71; -19,12]), constipação (β [IC95%]=-9,74 [-14,60; -4,89]) e diarreia (β [IC95%]=-12,16 [-16,03; -8,28]). Embora não permitam inferência causal, os achados sugerem que pacientes com um estilo de vida saudável apresentam menor carga sintomática durante o tratamento. Assim, integrar o manejo desses fatores à rotina oncológica pode ser importante para melhor controle de sintomas e qualidade de vida em pacientes com câncer.
Palavras-chave: Neoplasias, Estilo de vida, Sintomas