ASSOCIAÇÃO DOS FATORES DEMOGRÁFICOS, CLÍNICOS E DE ESTILO DE VIDA COM PREJUÍZOS COGNITIVOS EM PACIENTES COM CÂNCER: UM ESTUDO TRANSVERSAL
Autor(es): Râmi Augusto Portolan Lorandi , Anderson Rech,
Orientador: Pedro Lopez da Cruz
Quantidade de visulizações: 73
O comprometimento cognitivo relacionado ao câncer é altamente prevalente durante o tratamento oncológico e pode afetar negativamente a qualidade de vida e a trajetória do paciente. Em contrapartida, a identificação precoce dos fatores de risco para declínio cognitivo nessa população não é devidamente explorada pela literatura. Portanto, o objetivo do presente estudo foi investigar potenciais preditores de comprometimento cognitivo em pacientes com câncer. Este estudo transversal incluiu 699 pacientes adultos com câncer provenientes de dois hospitais no sul do Brasil, entre junho de 2025 e maio de 2026. Os potenciais preditores avaliados incluíram idade, sexo, índice de massa corporal (IMC), estágio da doença, comorbidades, tipo de tratamento e níveis de atividade física. A função cognitiva foi avaliada por meio da escala de Funcionamento Cognitivo do EORTC QLQ-C30, com escores ≤75 indicando maior relato de comprometimento cognitivo. Os dados foram analisados por regressão logística ajustada e expressos como odds ratios/razões de chances (OR [IC95%]). Entre os 699 pacientes, 307 (43,9%) relataram comprometimento cognitivo. Baixa renda (1,58 [1,02–2,46], p=0,043) e comorbidades (1,65 [1,10–2,47], p=0,015) foram independentemente associadas a maior risco de comprometimento cognitivo. Em contraste, idade mais avançada (0,55 [0,37–0,81], p=0,003), realização de qualquer atividade física semanal (0,64 [0,46–0,89], p=0,009) e elegibilidade para cirurgia (0,70 [0,50–0,99], p=0,041) foram associadas a menor risco. Doença avançada e quimioterapia aproximaram-se da significância estatística. Conclui-se que os fatores sociodemográficos, clínicos e comportamentais foram associados ao comprometimento cognitivo autorrelatado em pacientes com câncer. A identificação desses fatores pode favorecer o reconhecimento precoce de pacientes vulneráveis, contribuir para estratégias de cuidado oncológico mais individualizadas e centradas no paciente e subsidiar futuros estudos de intervenção voltados à saúde cognitiva em populações oncológicas.
Palavras-chave: cognição, câncer, comorbidades