Caracterização de pacientes com Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde em uma Unidade de Terapia Intensiva de Bento Gonçalves, RS
Autor(es): Luísa Briansini , Jean Lucas Benvenuti,
Orientador: Scheila de Ávila e Silva
Quantidade de visulizações: 91
As Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) constituem importante problema de saúde pública, especialmente em unidades de terapia intensiva (UTI), devido à elevada gravidade dos pacientes e ao impacto sobre a morbimortalidade, o tempo de internação e os custos assistenciais. O conhecimento do perfil epidemiológico desses indivíduos é fundamental para subsidiar estratégias de prevenção e controle. Assim, objetivou-se caracterizar os pacientes com IRAS internados em uma UTI de um hospital localizado em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul. Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo e descritivo, realizado por meio da análise de dados secundários provenientes de prontuários e registros institucionais. Foram incluídos 109 pacientes com diagnóstico de IRAS, dos quais 44 (40,4%) apresentaram infecções causadas por microrganismos sensíveis e 65 (59,6%) por microrganismos multirresistentes. Foram avaliadas variáveis demográficas, clínicas e relacionadas à internação por meio de estatística descritiva. Observou-se predominância do sexo masculino (56,0%), sendo a idade mediana da população de 73 anos e a idade média de aproximadamente 68,5 anos. O tempo médio entre a admissão hospitalar e a internação na UTI foi de 11,2 dias, enquanto o tempo médio de permanência na unidade foi de 35,7 dias, totalizando um tempo médio de internação de 46,7 dias. Entre as comorbidades mais frequentes destacaram-se hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e neoplasias. O uso prévio de antibióticos nos 90 dias anteriores foi identificado em 30,3% dos pacientes, enquanto 33,0% apresentaram internação prévia no mesmo período. As principais IRAS observadas foram pneumonia associada à ventilação mecânica (22,9%), infecção do trato urinário associada ao cateter (22,0%), traqueobronquite (17,4%) e infecção primária da corrente sanguínea associada ao cateter (14,7%). Em relação aos desfechos, 71 pacientes (65,1%) receberam alta da UTI e 38 (34,9%) evoluíram para óbito. Os resultados evidenciam que os pacientes com IRAS internados em UTI são predominantemente idosos, apresentam elevada frequência de comorbidades e longos períodos de internação. A caracterização desse perfil pode contribuir para o fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica, prevenção e controle das IRAS, além de fornecer subsídios para futuras investigações na área e auxiliar na adoção de medidas de higiene, precauções de contato e o uso racional de microbianos dentro do estabelecimento.
Palavras-chave: Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde, Unidade de Terapia Intensiva, Epidemiologia