Associação entre aumento de RDW1 e óbitos por COVID-19 em pacientes internados em hospital público do interior do Rio Grande do Sul.
Autor(es): Giovana Smiderle De Antoni , João Miguel Grossi, Eduardo Pereira Ricchetti, Janaína Kehl de Castilhos; Bruna Valduga Dutra; Clândio de Freitas Dutra,
Orientador: Simone Bonatto
Quantidade de visulizações: 46
A infecção por COVID-19, apresenta um espectro clínico heterogêneo, variando de casos assintomáticos a quadros graves que podem levar ao óbito. A estratificação de pacientes com maior risco de desfechos adversos é crucial para otimizar o manejo clínico. O RDW (Amplitude de Distribuição dos Glóbulos Vermelhos) é um parâmetro laboratorial de baixo custo, obtido a partir do hemograma, que reflete a variabilidade no tamanho dos eritrócitos. O seu aumento tem sido associado a processos inflamatórios sistêmicos, estresse oxidativo e disfunção da eritropoiese, mecanismos também implicados na patogênese da COVID-19. Estudos anteriores têm explorado o uso do RDW como preditor de gravidade e mortalidade nestes pacientes, com resultados promissores. O presente estudo visa avaliar a associação entre os níveis de RDW na admissão hospitalar e a mortalidade em pacientes internados com COVID-19, buscando determinar se a elevação do RDW pode servir como um indicador prognóstico de desfecho desfavorável. Este é um estudo retrospectivo transversal, realizado a partir da análise dos dados em prontuários de 496 pacientes internados em um hospital público devido a COVID-19, no período de março/2020 a dezembro/2021. Os pacientes incluídos testaram positivo para SARS-CoV-2 e eram maiores de 18 anos. Estes foram categorizados conforme o valor de RDW, sendo normais valores inferiores a 14,5% e aumentados, os valores > 14,6%. Os dados foram analisados no SPSS. O teste do qui-quadrado foi aplicado, considerando-se p<0,05 como significativo. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Dos 496 indivíduos analisados, 351 apresentaram RDW normal, destes, 131 (37,2%) evoluíram para óbito, já dos 145 pacientes com RDW aumentado, 84 (57,9%) tiveram este mesmo desfecho. Desta forma, observou-se uma taxa de mortalidade aumentada nos pacientes com RDW acima de 15%. A análise estatística realizada pelo teste de Qui-quadrado revela uma associação significativa entre o RDW aumentado e a taxa de mortalidade (p<0,001), confirmando o impacto do RDW aumentado na taxa de mortalidade dos pacientes com COVID-19. Portanto, este estudo aponta que o RDW elevado constitui um fator de risco estatisticamente significativo para a mortalidade em indivíduos internados com COVID-19. Assim, o RDW cresce como um marcador prognóstico acessível e útil, sua inclusão na avaliação inicial de pacientes com COVID-19 é recomendada para otimizar a identificação de indivíduos de alto risco e melhorar os desfechos clínicos.
Palavras-chave: RDW, mortalidade, COVID-19