Status Nutricional como Preditor de Intubação Orotraqueal em Internações por COVID-19: uma Análise Retrospectiva
Autor(es): João Miguel Grossi , Eduardo Pereira Ricchetti; Giovana Smiderle De Antoni; Janaína Kehl de Castilhos; Bruna Valduga Dutra; Clândio de Freitas Dutra.,
Orientador: Simone Bonatto
Quantidade de visulizações: 32
A obesidade é um dos principais fatores de risco modificáveis para desfechos graves na COVID-19, doença causada pelo SARS-CoV-2, responsável por uma das maiores emergências sanitárias globais das últimas décadas. A necessidade de intubação orotraqueal (IOT) representa um marcador de gravidade clínica significativa, associada a maior mortalidade, prolongamento da internação intensiva e piores desfechos funcionais. O excesso de peso corporal predispõe a essas formas graves em razão de alterações na mecânica respiratória, estado pró-inflamatório crônico e disfunção imune associados à adiposidade visceral. No Brasil, com elevada prevalência de sobrepeso e obesidade, compreender os fatores determinantes da necessidade de IOT é de grande relevância clínica. O objetivo deste estudo foi analisar o impacto estado nutricional nos pacientes com excesso de peso e o desfecho de IOT em pacientes internados com COVID-19. Foi realizado um estudo observacional retrospectivo transversal, através da revisão de prontuários de pacientes internados por COVID-19 em hospital público da região sul do Brasil, entre março de 2020 e dezembro de 2021. Incluíram-se indivíduos com idade acima de 18 anos e teste positivo para SARS-CoV-2. O estado nutricional foi avaliado por meio do índice de massa corporal (IMC), classificando-se os pacientes com excesso de peso em pacientes com sobrepeso, obesos grau I, obesos grau II e obesos grau III, conforme preconiza a OMS. A análise estatística foi realizada no SPSS 21.0, utilizando-se o teste do qui-quadrado e adotando-se p<0,05 como significativo. O estudo foi aprovado do Comitê de Ética em Pesquisa. A amostra totalizou 380 pacientes, dos quais 270 foram submetidos à IOT. Observou-se associação estatisticamente significativa entre estado nutricional, dentro do espectro excesso de peso, e IOT (p = 0,046). A taxa de intubação foi alta em todos os grupos, mas atingiu o seu ápice nos pacientes com obesidade grau III (82,3%), apresentando também um valor expressivo no sobrepeso (72,8%). Os resultados indicam que o status nutricional dos pacientes acima do peso está significativamente associado ao risco de IOT em pacientes com COVID-19, reforçando a importância da avaliação do status nutricional, especialmente nos pacientes acima do peso, que apresentam maior vulnerabilidade metabólica. Esta prática pode impactar de forma positiva na estratificação de risco à admissão hospitalar e na antecipação de decisões terapêuticas diante de progressão clínica.
Palavras-chave: obesidade, COVID-19, intubação orotraqueal