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CARACTERIZAÇÃO DA MICROBIOTA BACTERIANA CONJUNTIVAL PRESENTE EM CÃES SAUDÁVEIS E SEU PERFIL DE SUSCETIBILIDADE FRENTE AOS ANTIMICROBIANOS

Microbiota bacteriana conjuntival de cães saudáveis e perfil antimicrobiano Clique na imagem para dar zoom

CARACTERIZAÇÃO DA MICROBIOTA BACTERIANA CONJUNTIVAL PRESENTE EM CÃES SAUDÁVEIS E SEU PERFIL DE SUSCETIBILIDADE FRENTE AOS ANTIMICROBIANOS

Autor(es): Kétlin Milena Zardin , Maria Eduarda Lucca Weber, Nicole Amoêdo Luvison, Júlia da Silva Ramos, Gustavo Brambatti, Tamiris Silva Lopes,
Orientador: André Felipe Streck
Quantidade de visulizações: 53

A interação entre cães e seus tutores têm se intensificado nas últimas décadas, favorecendo a troca de microrganismos, incluindo bactérias multirresistentes. A conjuntiva ocular apresenta continuidade anatômica com a pele da margem palpebral, permitindo intensa interação entre as microbiotas desses sítios. Em condições de homeostase, essa microbiota contribui para a manutenção da saúde ocular. Entretanto, alterações imunológicas, traumas ou outros fatores predisponentes podem favorecer desequilíbrios microbianos, permitindo que bactérias comensais e oportunistas atuem como agentes causadores de afecções oculares. Este estudo teve como objetivo caracterizar a microbiota bacteriana residente na conjuntiva de cães saudáveis e avaliar o perfil de suscetibilidade antimicrobiana dos isolados obtidos. Foram obtidas amostras de 129 cães hígidos, totalizando 258 amostras conjuntivas, durante o programa de esterilização de cães e gatos desenvolvido pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). As coletas foram realizadas com swabs estéreis acondicionados em meio Stuart. As amostras foram cultivadas em ágar sangue para isolamento bacteriano e caracterização inicial por coloração de Gram. As colônias obtidas foram cultivadas em infusão de cérebro-coração (BHI) e identificadas por espectrometria de massas (MALDI-TOF). Posteriormente, foi realizado o teste de suscetibilidade antimicrobiana pela técnica de disco-difusão utilizando um painel de 25 antimicrobianos. Dos 60 isolados bacterianos obtidos, 52 foram identificados, sendo 42 (70%) Staphylococcus spp., 2 (3,33%) Moraxella spp., 2 (3,33%) Micrococcus spp., 2 (3,33%) Pantoea spp., 1 (1,67%) Enterococcus spp., 1 (1,67%) Escherichia spp., 1 (1,67%) Streptococcus spp. e 1 (1,67%) Bacillus spp. A análise do teste de disco-difusão demonstrou que pelo menos 91% dos isolados foram classificados como suscetíveis à ciprofloxacina, ofloxacina, moxifloxacina, gentamicina, neomicina, cefalexina, cloranfenicol, cefepime, linezolida, tobramicina, amoxicilina associada ao ácido clavulânico, estreptomicina, ceftiofur e enrofloxacino. As maiores frequências de isolados classificados como resistentes foram observadas para ampicilina (37,8%), cefotaxima (28,9%), doxiciclina (25%), penicilina G (13,6%) e sulfazotrim (10,6%).  A presença de cepas resistentes reforça a necessidade do uso racional de antimicrobianos e do monitoramento da resistência bacteriana, destacando a importância da abordagem One health na interface entre saúde animal, humana e ambiental.

Palavras-chave: Conjuntiva canina, Suscetibilidade antimicrobiana, Saúde Única