Fatores associados à depressão infantil: o papel da aptidão física e das características sociodemográficas
Autor(es): Manoela Todeschini Ferreira , Laura Stoffels Spessatto e Vanessa Chiarello Baldissera, ,
Orientador: Guilherme Auler Brodt
Quantidade de visulizações: 3
A depressão configura-se como um dos principais desafios de saúde pública contemporâneos, sendo o Brasil o país com maior prevalência dessa condição na América Latina. Na infância, os sintomas depressivos resultam da interação entre fatores genéticos, ambientais e sociais, podendo comprometer a funcionalidade e o desenvolvimento emocional dos escolares. Este estudo teve como objetivo investigar a relação entre variáveis sociodemográficas, indicadores de atividade física e aptidão física com sintomas de depressão infantil, além de avaliar seu potencial preditivo para o transtorno.
Foi realizada uma pesquisa transversal com 125 estudantes, com idade média de 9,09 anos, matriculados em uma escola municipal de Garibaldi-RS. Foram aplicados testes físicos do protocolo Projeto Esporte Brasil (PROESP-Br), o Physical Activity Questionnaire for Children (PAQ-C) para avaliação do nível de atividade física e o Child Depression Inventory (CDI) para rastreio de sintomas depressivos. Também foi aplicado um questionário sociodemográfico aos responsáveis, contemplando dados de renda e escolaridade parental. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Caxias do Sul, sob o parecer nº 6.993.200. Os dados foram analisados por estatística descritiva, teste t de Student, correlação de Spearman e regressão logística binária. Os resultados indicaram que 14,4% dos escolares apresentaram escores acima do ponto de corte para depressão, com maior ocorrência no sexo masculino. Houve associação significativa entre o uso de medicação controlada e a presença de sintomatologia depressiva. A escolaridade materna foi identificada como o principal fator preditor: crianças cujas mães possuíam apenas ensino fundamental apresentaram probabilidade 8,11 vezes maior de manifestar sintomas depressivos quando comparadas àquelas cujas mães tinham ensino superior. Embora o nível de atividade física e a maioria dos componentes da aptidão física não tenham apresentado associação significativa isolada, o teste de flexibilidade (sentar e alcançar) demonstrou efeito protetor contra sintomas depressivos. Conclui-se que fatores sociodemográficos, especialmente a escolaridade materna, e componentes específicos da aptidão física estão relacionados à saúde mental infantil. Os achados reforçam a importância de estratégias de triagem precoce no ambiente escolar e de ações de promoção da saúde que considerem as vulnerabilidades sociais das famílias.
Palavras-chave: Depressão infantil, Aptidão física, Escolaridade materna