INTERSECCIONALIDADE DE RAÇA E IDADE NA PREVALÊNCIA DE OBESIDADE GERAL E ABDOMINAL EM MULHERES TRABALHADORAS DA SAÚDE
Autor(es): Jéssica Borges Trevisan , Annelise Fochesatto, Júlia Dusso Brustolin, Julia Petri, Letícia Nodori Carobin, Valéria Pretti Schumann, Suzete Marchetto Claus, Karina Giane Mendes, Simone Bonatto,
Orientador:
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No Brasil, a prevalência de obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²) em adultos é de 25,7%, sendo maior entre as mulheres (26,7%). Entre profissionais da saúde, condições laborais adversas, como jornadas extensas, alta demanda e estresse, favorecem hábitos alimentares inadequados e sedentarismo. Além disso, a interseccionalidade entre marcadores sociais, como raça/cor da pele e idade, pode ampliar iniquidades em saúde e aumentar a vulnerabilidade ao excesso de peso. Este estudo objetivou avaliar a associação entre interseccionalidade, obesidade geral e obesidade abdominal em mulheres trabalhadoras da saúde. Trata-se de um estudo transversal composto por enfermeiras, técnicas de enfermagem e agentes comunitárias de saúde em serviços públicos de um município da serra gaúcha. A coleta de dados ocorreu por meio de um questionário estruturado contendo instrumentos validados. A raça/cor da pele foi autorreferida e categorizada em branca, negra e parda. A variável de exposição foi a interseccionalidade, definida pela combinação entre raça/cor da pele e idade, sendo comparadas mulheres brancas com menos de 50 anos e mulheres pardas ou negras com 50 anos ou mais. A obesidade geral foi avaliada pelo Índice de Massa Corporal (IMC), obtido a partir das medidas de peso e altura. A obesidade abdominal foi determinada pela circunferência da cintura, aferida no ponto médio em direção à crista ilíaca. As associações entre as variáveis foram analisadas pelo teste Qui-Quadrado de Pearson. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), parecer nº 7.134.723. A amostra totalizou 857 mulheres, distribuídas entre brancas com menos de 50 anos (n=496; 56,8%) e mulheres pardas ou negras com 50 anos ou mais (n=377; 43,2%). Mulheres pardas ou negras com ≥50 anos apresentaram maior prevalência de obesidade geral quando comparadas às mulheres brancas com <50 anos (38,6% vs. 30,1%; p=0,03). Da mesma forma, a obesidade abdominal foi mais frequente entre mulheres pardas ou negras com ≥50 anos (47,9%) em relação às brancas com <50 anos (38,5%; p=0,006). A análise interseccional demonstra que mulheres pardas ou negras com 50 anos ou mais apresentam desfechos metabólicos mais desfavoráveis, com números significativamente maiores de obesidade geral e abdominal. Tais achados evidenciam a necessidade de um olhar mais equitativo para a saúde ocupacional dessas profissionais, considerando as vulnerabilidades associadas à idade e à raça/cor da pele.
Palavras-chave: Obesidade , Raça , Idade