INSEGURANÇA ALIMENTAR E FATORES ASSOCIADOS ENTRE MULHERES BENEFICIÁRIAS DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA EM UMA UBS DE CANELA-RS
Autor(es): Sabryn Candido , Júlia Milene Specht, Saphira Frizzo Veppo, Otávio Prinstrop Pinto, Heloísa Theodoro, Simone Bonatto.,
Orientador:
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Introdução e problema de pesquisa: A insegurança alimentar (IA) constitui um importante problema de saúde pública, especialmente entre famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Embora programas de transferência de renda, como o Programa Bolsa Família (PBF), contribuam para a redução dessas desigualdades, muitas famílias ainda têm dificuldades de acesso regular e permanente a alimentos em quantidade e qualidade adequadas. Considerando que a IA pode apresentar diferentes características conforme o território, torna-se necessário conhecer sua ocorrência em contextos locais, a fim de identificar grupos mais vulneráveis e subsidiar ações de vigilância alimentar e nutricional. Objetivo: Avaliar o nível de IA das famílias cadastradas no PBF na área de abrangência da UBS Canelinha (Canela-RS). Metodologia: Trata-se de um estudo transversal, realizado com mulheres de 18 a 59 anos, cadastradas no PBF na UBS Canelinha, em setembro e outubro de 2023. A coleta incluiu dados sociodemográficos, hábitos de vida e saúde, aplicação da Escala Brasileira de IA (EBIA) e do Self-Reporting Questionnaire-20 (SRQ-20), além de avaliação de peso e altura para avaliação do estado nutricional. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da UCS sob parecer 6.202.079. Resultados: A amostra foi de 101 mulheres. Os resultados mostraram que 80,2% delas têm algum nível de IA, sendo que 37,6% apresentaram IA leve, 20,8% IA moderada e 18,8% IA grave. Predominaram mulheres com menos de 40 anos (67,4%), sem cônjuge (75,2%), sem ocupação remunerada (85,1%) e sedentárias (96%). Praticamente metade das entrevistadas era tabagista ativa (48,5%), com obesidade (45,5%) e 51,4% apresentaram rastreamento positivo para transtornos mentais comuns (de acordo com o SRQ20). A IA apresentou associação significativa com idade (p=0,03), estado civil (p=0,02), uso de medicação para os nervos (p<0,001), estado nutricional (p<0,001), obesidade abdominal (p=0,05) e presença de transtornos mentais comuns (p=0,002). Conclusão: Os resultados evidenciam a vulnerabilidade das mulheres em situação de IA, marcada por dificuldades de acesso a uma alimentação adequada, elevada prevalência de excesso de peso e impactos na saúde mental. Nesse contexto, destaca-se a necessidade de políticas públicas e ações integradas às unidades básicas de saúde que promovam o acesso a alimentos saudáveis e o cuidado integral dessas mulheres, considerando suas condições socioeconômicas e de saúde.
Palavras-chave: insegurança alimentar, estado nutricional, nível socioeconômico