Dinâmica Climática da espécie Hymenophyllum delicatulum Sehnem, uma samambaia endêmica e ameaçada de extinção do Sul do Brasil
Autor(es): Gabriel Augusto Koch , Fernanda Pessi de Abreu, Felipe Gonzatti, Caroline Turchetto,
Orientador: Felipe Gonzatti
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A Mata Atlântica abriga elevada riqueza e endemismo de samambaias, incluindo Hymenophyllum delicatulum Sehnem, endêmica do Sul do Brasil. Essa espécie está associada a ambientes úmidos e climaticamente estáveis, característica que a torna sensível a alterações climáticas. Atualmente, H. delicatulum já é considerada ameaçada de extinção, no status de Vulnerável, de acordo com a Lista da Flora Nativa Ameaçada de Extinção do Rio Grande do Sul. Nesse contexto, compreender a influência das mudanças climáticas passadas e futuras é essencial para subsidiar estratégias de conservação. Assim, objetivou investigar a dinâmica climática de H. delicatulum nos últimos 140.000 anos e sob cenários climáticos futuros. Registros de ocorrência foram obtidos nas plataformas Reflora, SpeciesLink e revisões taxonômicas. Dados climáticos dos períodos presente, Holoceno Inicial (EH), Último Máximo Glacial (LGM), Último Interglacial (LIG) e cenários futuros foram obtidos das bases PaleoClim e WorldClim. Para as projeções futuras, foram utilizados cenários otimista e pessimista, considerando os modelos climáticos MIROC6 e MPI-ESM1-2-HR. A modelagem de nicho ecológico foi realizada com nove algoritmos, integrados em uma abordagem ENSEMBLE. As projeções atuais reproduzem parcialmente a distribuição conhecida da espécie, abrangendo o nordeste do Rio Grande do Sul e a região serrana de Santa Catarina, além de indicar áreas potencialmente adequadas no oeste catarinense e no Paraná. Em geral, as áreas de maior adequabilidade climática concentram-se ao longo da Serra Geral. As projeções paleoclimáticas revelaram ampla expansão da área adequada durante o LIG, com aumento de 609% em relação ao presente. Nos períodos subsequentes ocorreu redução gradual dessa área, embora permanecendo superior à atual, com aumentos de 331% no LGM e 207% no EH. Em contraste, as projeções futuras indicam redução da adequabilidade climática em ambos os modelos e cenários avaliados. As maiores perdas ocorrem no cenário pessimista, com contrações superiores a 70% da área atualmente adequada até o final do século, enquanto no cenário otimista as reduções ultrapassam 30%. Os resultados indicam que H. delicatulum provavelmente encontrou condições climáticas mais favoráveis ao longo do Quaternário, mas poderá sofrer forte retração de sua distribuição potencial diante das mudanças climáticas futuras, ressaltando a importância do planejamento de estratégias de conservação que integrem a proteção de refúgios climáticos.
Palavras-chave: Hymenophyllaceae, Modelagem de Nicho ecológico, Mudanças Climáticas