Bioprospecção de compostos bioativos de bagaço de uva com potencial para uso em cosméticos sustentáveis
Autor(es): Ketllyn Kamylly De Oliveira Machado , Deise Munaro,
Orientador: Sidnei Moura e Silva
Quantidade de visulizações: 5
A crescente busca por matérias-primas naturais como alternativa viável e sustentável para reduzir impactos ambientais na indústria cosmética tem impulsionado pesquisas voltadas ao aproveitamento de resíduos agroindustriais ricos em compostos bioativos. Entre esses resíduos destaca-se a uva, uma das frutas mais valorizadas mundialmente, cuja produção é destinada majoritariamente à vinificação. Esse processo gera o bagaço de uva como principal subproduto sólido biodegradável, composto por cascas, sementes e engaços, correspondendo a cerca de 20% do peso da fruta processada. Como o processamento mecânico e a fermentação não esgotam seus constituintes fitoquímicos, aproximadamente 70% dos compostos bioativos permanecem retidos no bagaço, incluindo flavonoides, antocianinas, taninos e outros polifenóis com reconhecida atividade antioxidante e potencial aplicação cosmética. Nesse contexto, o objetivo deste estudo foi bioprospectar compostos bioativos presentes no bagaço de uvas tintas das cultivares Bordô e Isabel, visando identificar condições de extração adequadas para futura aplicação em formulações cosméticas sustentáveis. As amostras de bagaço das variedades Bordô e Isabel (Vitis labrusca), previamente submetidas à fermentação vinífera e prensagem, foram obtidas de vinícolas locais. A extração foi realizada com solução hidroalcoólica em diferentes concentrações de etanol (2,5%, 5%, 10%, 20%, 30%, 40% e 50%). Utilizou-se 2,5% (m/v) de bagaço, mantendo-se as amostras sob refrigeração a aproximadamente 6 °C por 24 horas. Em seguida, os materiais foram homogeneizados em liquidificador por 25 segundos e submetidos à extração assistida por ultrassom, utilizando amplitude de 40%, pulsação de cinco em cinco segundos e temperatura de 25 °C por 15 minutos. Após filtração em peneira e papel de filtro, os extratos foram armazenados sob refrigeração para determinação dos teores de fenólicos totais e flavonoides totais por métodos espectrofotométricos. Os resultados indicaram que a extração com 50% de etanol apresentou os maiores teores de fenólicos totais (2,149 ± 0,059 mg mL⁻¹) e flavonoides totais (0,582 ± 0,013 mg mL⁻¹), diferindo das demais concentrações avaliadas. Assim, os resultados preliminares evidenciam o potencial de valorização desse resíduo agroindustrial e incentivam estudos futuros voltados ao desenvolvimento de insumos cosméticos sustentáveis ricos em compostos bioativos.
Palavras-chave: Bagaço de uva, Compostos fenólicos, Cosméticos sustentáveis