O medo de cair associa-se independentemente à ocorrência de quedas em pacientes sob terapia dialítica: uma análise transversal
Autor(es): Ana Carolina Basso , Nicoly Soares Lima e Monica de Oliveira Melo,
Orientador: Guilherme Auler Brodt
Quantidade de visulizações: 6
A doença renal crônica (DRC) está associada a repercussões funcionais e à redução da qualidade de vida. Pacientes submetidos à terapia dialítica apresentam maior risco de quedas, as quais podem resultar em hospitalização, perda de independência e pior prognóstico clínico. Além dos fatores físicos, o medo de cair tem sido associado a desfechos adversos em diferentes populações, porém sua relação com a ocorrência de quedas em indivíduos sob terapia dialítica permanece pouco explorada. Nesse contexto, o objetivo desse estudo foi investigar a associação entre sintomas depressivos, medo de cair, parâmetros funcionais e ocorrência de quedas em pacientes sob terapia renal substitutiva. Trata-se de um estudo transversal, em que foram avaliados 27 pacientes em terapia dialítica (45,1 ± 10,7 anos; 63% homens). O medo de cair foi avaliado pelo Falls Efficacy Scale-International (FES-I) e os sintomas depressivos pelo Inventário de Depressão de Beck (BDI). A velocidade da marcha foi obtida por meio de sensor inercial BAIOBIT®, e a mobilidade funcional foi avaliada pelo teste Timed Up and Go(TUG). As associações foram investigadas por correlação de Spearman, comparações entre grupos pelo teste de Mann-Whitney e regressão logística para identificação de fatores independentemente associados às quedas. O medo de cair correlacionou-se positivamente com sintomas depressivos (ρ = 0,480; p = 0,011) e com o desempenho no TUG (ρ = 0,381; p = 0,050), e negativamente com a velocidade da marcha (ρ = -0,395; p = 0,041). Pacientes com histórico de quedas apresentaram maiores escores de FES-I em comparação aos não caidores (32 [21–35] vs. 18 [17–21]; p = 0,030), sem diferenças significativas para velocidade da marcha, TUG e idade. No modelo de regressão logística, o medo de cair permaneceu independentemente associado à ocorrência de quedas (OR = 1,118; IC95% 1,003–1,247; p = 0,044), enquanto fragilidade e desempenho funcional não apresentaram associação significativa com o desfecho. O modelo apresentou significância global (p = 0,031; Nagelkerke R² = 0,388). O medo de cair apresentou associação com sintomas depressivos, desempenho funcional e ocorrência de quedas em pacientes sob terapia dialítica, permanecendo independentemente associado às quedas após ajuste para fragilidade e funcionalidade. Esses achados reforçam a relevância da avaliação do medo de cair nessa população e justificam investigações longitudinais para melhor compreender sua relação com o risco de quedas.
Palavras-chave: Medo de cair, Quedas, Terapia renal substitutiva