Saúde Mental, Nutrição e Insegurança Alimentar em Mulheres Beneficiárias do Programa Bolsa Família
Autor(es): Cristiane Maria Steiner Mazzer , Jhulie dos Santos Dada, Heloísa Theodoro, Simone Bonatto, Saphira Frizzo Veppo,
Orientador: Karina Giane Mendes
Quantidade de visulizações: 6
Resumo: Os Transtornos Mentais Comuns (TMC) englobam sintomas depressivos, ansiosos, somatoformes e de fadiga que, sem necessariamente configurar diagnósticos psiquiátricos formais, comprometem significativamente o funcionamento cotidiano e a qualidade de vida. Representam um desafio expressivo para a saúde pública global, com maior prevalência no gênero feminino. No Brasil, mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica enfrentam acentuada vulnerabilidade emocional, na qual fatores como baixa escolaridade, renda reduzida e insegurança alimentar potencializam o risco de desenvolvimento dessas condições. Este estudo investigou a relação entre TMC e estado nutricional em mulheres beneficiárias do Programa Bolsa Família acompanhadas em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Trata-se de estudo observacional transversal realizado com 101 mulheres entre 18 e 59 anos, cadastradas na UBS Canelinha, em Canela-RS. O rastreamento dos TMC foi realizado pelo Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20), com ponto de corte ≥ 8 respostas positivas. O estado nutricional foi avaliado pelo Índice de Massa Corporal (IMC), calculado a partir de peso e altura aferidos. Aplicou-se ainda a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA). As análises estatísticas foram conduzidas no SPSS, com teste qui-quadrado para associações bivariadas e nível de significância de 5%. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Caxias do Sul (parecer nº 6.202.079). Os resultados revelaram prevalência de TMC em 51,4% das participantes. Em relação ao perfil nutricional, 45,5% apresentavam obesidade e 35,6% sobrepeso, totalizando 81,1% com excesso de peso. Insegurança alimentar foi identificada em 77,2% da amostra. Verificou-se associação estatisticamente significativa entre TMC e tabagismo (p=0,006), uso autorreferido de medicamentos para os nervos (p=0,001), hipertensão arterial (p=0,02), diabetes mellitus (p=0,001), dislipidemia (p=0,007), insegurança alimentar (p=0,002) e estado nutricional (p=0,005). Conclui-se que há elevada prevalência de TMC na população estudada, associada a indicadores nutricionais desfavoráveis e condições crônicas de saúde. Esses achados reforçam a necessidade de intervenções integradas entre saúde mental e nutrição voltadas a mulheres em situação de vulnerabilidade, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e a redução das desigualdades em saúde na atenção básica.
Palavras-chave: mulheres, transtornos mentais, estado nutricional