AVALIAÇÃO DOS MECANISMOS DE TOXICIDADE DO DIÓXIDO DE ENXOFRE (SO2) EM Torulaspora delbrueckii
Autor(es): Lara Batista Favero , Fernando Joel Scariot, Angelo Gava,
Orientador: Ana Paula Longaray Delamare
Quantidade de visulizações: 7
Torulaspora delbrueckii é uma levedura de interesse para a indústria vinícola, pois contribui para a complexidade aromática e sensorial dos vinhos. Entretanto, sua aplicação é limitada devido à elevada sensibilidade ao dióxido de enxofre (SO2), composto amplamente utilizado como antioxidante e agente antimicrobiano durante a vinificação. Embora os efeitos tóxicos do SO2 sejam conhecidos, os mecanismos celulares responsáveis pela perda de viabilidade em T. delbrueckii permanecem pouco compreendidos. Assim, o presente estudo teve como objetivo investigar os mecanismos celulares envolvidos na toxicidade do SO2 em T. delbrueckii. As células da levedura T. delbrueckii Zymaflore Alpha foram tratadas com diferentes concentrações de SO2 (0, 30 e 45 mg/L). Espécies reativas de oxigênio (ROS) foram avaliadas por citometria de fluxo com o corante DCFH. A viabilidade celular foi avaliada por plaqueamento em gota em meios contendo ou não 10 mM de ácido ascórbico e o consumo de glicose foi quantificado por método colorimétrico com ácido 3,5-dinitrosalicílico (DNS). Nossos dados revelam um aumento expressivo na produção de ROS após exposição ao SO2, sugerindo uma possível participação do estresse oxidativo na resposta celular. Portanto, avaliou-se o potencial efeito protetor do ácido ascórbico contra as ROS. Os resultados mostraram que a suplementação com ácido ascórbico não promoveu aumento da viabilidade celular. Adicionalmente, visando investigar possíveis alterações metabólicas associadas à toxicidade do sulfito, avaliou-se o consumo de glicose por essas células. Observou-se que a concentração de 45 mg/L de SO2 inibiu completamente a assimilação de glicose pelas células ao longo das 24 horas de ensaio, enquanto a dose de 30 mg/L teve menor impacto e afetou o consumo de glicose apenas nas primeiras 6 horas. Em conjunto, esses resultados sugerem que a perda de viabilidade de T. delbrueckii induzida pelo SO2 não é primariamente decorrente do estresse oxidativo. Em contrapartida, os dados indicam que a toxicidade do sulfito afeta diretamente o metabolismo energético celular, evidenciado pela interrupção do consumo de glicose e pela consequente perda de viabilidade, ampliando a compreensão dos mecanismos de ação desse composto em leveduras de interesse enológico.
Palavras-chave: sulfito, não-Saccharomyces, ROS