IMPACTO DA EXPOSIÇÃO INTRAÚTERO À SINDROME HIPERTENSIVA NO CRESCIMENTO INFANTIL NOS 3 PRIMEIROS ANOS DE VIDA

Autor(es): Lucas Girotto de Aguiar , Daiane Oliveira Vergani,
Orientador: Vandrea Carla de Souza
Quantidade de visulizações: 34

Impacto da hipertensão materna no crescimento de prematuros de muito baixo peso
A síndrome hipertensiva gestacional (SHG) tem sido associada a diversas complicações maternas e neonatais, como a restrição de crescimento intrauterino (RCIU), o baixo peso ao nascimento, o Pequeno para a Idade Gestacional (PIG) e a prematuridade, condições que representam perfil de risco para agravos crônicos no decorrer da vida. Levando em consideração o crescimento dessa população, há dúvida se a menor taxa de crescimento observada em filhos de mães hipertensas é atribuível exclusivamente à hipertensão materna ou se essa associação é influenciada pela desnutrição ao nascimento, comum entre esses recém-nascidos. O objetivo deste estudo foi avaliar o impacto da exposição à SHG no crescimento de prematuros (PMT) com muito baixo peso ao nascer (MBPN) nos primeiros 36 meses de vida. Foram avaliadas crianças egressas do Hospital Geral de Caxias do Sul, no período de março de 2011 até dezembro de 2021 (n=188) que mantiveram acompanhamento no ambulatório de seguimento de prematuros do Centro Clínico da Universidade de Caxias do Sul. Foram excluídos casos de encefalopatia (n=1) e alteração cromossômica (n=1). Foram comparados os escores Z de estatura entre os grupos nos primeiros 36 meses de vida, de acordo com as curvas propostas pela Organização Mundial de Saúde. A amostra foi composta por 186 PMT, 83 expostos e 103 controles. A mediana de escore Z de estatura ao nascimento no grupo exposto foi de -1.22 (-2.29, -0.60), enquanto no grupo controle foi de -0.57 (-1.64, 0.41), a idade gestacional mediana, em semanas, dos filhos de mães hipertensas foi 31 (29, 32), enquanto dos filhos de mães normotensas foi 30 (28, 31), a incidência de PIG no grupo controle foi de 29 (28%) e no grupo exposto 41 (49%). 55 (76%) dos expostos apresentaram Restrição de Crescimento Extrauterino (RCEU), enquanto 49 (55%) dos não expostos apresentaram tal quadro. O modelo de regressão univariado identificou as variáveis PIG e SHG associadas a menor escore Z de estatura em relação aos controles. No modelo multivariado, a exposição à SHG não se confirmou como associada a pior escore Z de estatura, enquanto a variável PIG foi identificada como fator de risco independente para esses piores escores. Apesar de não ser diretamente associada a piores escores Z de estatura, a variável SHG é determinante de PIG, o que reforça a necessidade de maior investigação para elucidar a relação entre os fatores SHG e PIG como determinantes do crescimento de prematuros.

Palavras-chave: Hipertensão Induzida pela Gravidez, Crescimento, Recém-nascido prematuro