Reprodução de Relações Sociais Capitalistas nas Famílias de Catadores de Resíduos Sólidos Urbanos

Autor(es): Lucas Knerek de Bitencourt
Orientador: Ana Maria Paim Camardelo
Quantidade de visulizações: 58

Relações Sociais Capitalistas em Famílias de Catadores
A família é a unidade básica de interação social e assume diferentes modos de ser de acordo com períodos históricos, variações geográficas, fatores sociopolíticos, religiosos, econômicos e culturais. Sob o capitalismo atual, sua dinâmica também altera-se, principalmente dentro dos núcleos familiares mais impactados pelas transformações no mundo do trabalho - como é o caso dos catadores de resíduos sólidos. O objetivo deste trabalho, portanto, é identificar expressões de reprodução das relações capitalistas nas famílias de catadores de materiais recicláveis. Esta pesquisa qualitativa vincula-se ao projeto Catadores de Resíduos: de Papeleiros a Protetores Ambientais, o qual foi financiado pelo CNPq, no período de 2017-2020. Para sua realização, foram analisadas entrevistas semiestruturadas com catadores associados. O tratamento dos dados pautou-se no método de Análise de Conteúdo, com as seguintes categorias estabelecidas: transgeracionalidade do trabalho; família e inserção na catação; e trabalho infantil. Seus resultados indicam que a dinâmica da família dos catadores é condicionada pelo trabalho que esta desempenha, devido à morfologia da população sofrer pressões para adequar-se ao movimento do capital. Se cabe à família a transmissão de valores e conhecimentos acumulados individual ou coletivamente, no caso dos catadores é a catação, enquanto trabalho precário, que tece a conexão entre a geração passada, a presente e a futura, sendo primeiramente como herança e depois como negação. Dentre os entrevistados, evidenciou-se que grande parte dos catadores das gerações passadas iniciou as atividades relativas à catação junto de seus familiares quando ainda eram crianças, configurando trabalho infantil. Para com as gerações futuras, predominou-se a intenção de romper com a catação tida como herança, evidenciando não só um descontentamento com o trabalho, mas o desejo de superação da catação por parte dos descendentes, pois esta expressa materialmente a luta pela sobrevivência diante da negação de direitos e pobreza exponencial.

Palavras-chave: Família, Catadores, Trabalho infantil