Extração de Compostos Antioxidantes do Bagaço de Uva por Método Verde
Autor(es): Naiane Canal Silveira , Carina Cassini, Cátia dos Santos Branco,
Orientador: Valéria Weiss Angeli
Quantidade de visulizações: 73
O reaproveitamento de resíduos agroindustriais tem ganhado destaque devido ao seu potencial sustentável e econômico. Nesse cenário, a uva destaca-se como uma grande fonte de resíduos da Serra Gaúcha, sendo que cerca de 25% da matéria-prima processada é convertida em bagaço, composto principalmente por cascas e sementes. Apesar de preservar os compostos fenólicos da fruta, o bagaço ainda é descartado ou subutilizado. Esses bioativos apresentam atividade antioxidante, antimicrobiana, anti-inflamatória, antiproliferativas e cardioprotetora. Diante desse contexto, o presente estudo teve como objetivo comparar diferentes métodos de extração aplicados ao bagaço de uva. Foram testados dois métodos sob diferentes condições: extração aquosa assistida por agitação constante e aquecimento (EAA) à 55ºC por 1, 1,5 e 2 horas; extração aquosa assistida por ultra-turrax (EUT) à 14.000 e 16.000 rpm por 5, 10 e 15 minutos. Os extratos foram avaliados quanto ao teor de compostos fenólicos totais (CF), flavonoides e antocianinas. Os extratos de maior teor de bioativos foram avaliados quanto à capacidade antioxidante por 3 métodos: capacidade de varredura do radical DPPH; capacidade de redução do íon férrico (FRAP) e capacidade de sequestrar o radical ABTS. Os resultados mostram que o método de EAA de 1,5 horas apresentou maior eficácia na extração dos CF (5,55 ± 0,10 mg/g de casca); flavonoides (1,60 ± 0,01 mg/g de casca) e antocianinas (0,32 ± 0,01 mg/g de casca), seguido pelo método de EUT por 15 minutos à 16.000 rpm, o qual obteve-se 4,29 ± 0,43; 1,42 ± 0,01 e 0,22 ± 0,00 mg/g de casca de CF, flavonoides e antocianinas, respectivamente. O EAA 1,5h apresentou maior atividade antioxidante em todas as metodologias avaliadas, com IC₅₀ de 32,18 ± 1,44 mg/mL (DPPH), FRAP de 39,41 ± 0,43 µmol Trolox/g de casca e ABTS de 21,63 ± 0,54 µmol Trolox/g de casca. Em comparação, o extrato EUT por 15 minutos à 16.000 rpm apresentou IC₅₀ de 70,23 ± 0,98 mg/mL (DPPH), FRAP de 20,52 ± 0,14 µmol Trolox/g de casca e ABTS de 10,20 ± 0,41 µmol Trolox/g de casca. Os resultados corroboram com os maiores teores de CF, flavonoides e antocianinas extraídos. Conclui-se que o EAA 1,5 horas constitui o método mais eficiente para a recuperação de CF e atividade antioxidante a partir do bagaço de uva e representa uma alternativa ecológica para o aproveitamento desse resíduo agroindustrial.
Palavras-chave: Resíduos vitivinicultura, Atividade antioxidante, Extratos vegetais.