Avaliação preliminar da presença de agrotóxicos na água subterrânea em um Município da Região Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul

Autor(es): Luiza Ramos Simionato , Daniela Menegat e Denise Peresin,
Orientador: Vânia Elisabete Schneider
Quantidade de visulizações: 96

Avaliação da presença de agrotóxicos na água subterrânea de um município do RS
A água é um recurso natural imprescindível para os seres humanos e para a manutenção do meio ambiente. Dessa forma, a água subterrânea vem surgindo como uma opção viável, pela sua qualidade e disponibilidade. Nos dias atuais, muitas substâncias contaminantes estão prejudicando a qualidade da água que pode ser utilizada para o consumo, inclusive a subterrânea. Dentre essas substâncias, os agroquímicos estão em grande evidência, pela ascensão das atividades agrícolas. Este trabalho analisou amostras de água de 29 poços tubulares do Município de Vacaria, RS, nos anos de 2017 e 2018. As amostras foram coletadas por técnicos do Instituto de Saneamento Ambiental da Universidade de Caxias do Sul (ISAM/UCS) conforme o Guia Nacional de Coletas e Preservação de Amostras da Agência Nacional de Águas (ANA, 2011) e analisadas pelo Laboratório de Biotecnologia de Produtos Naturais e Sintéticos da UCS. Do total dos poços analisados, 17 (58,62%) apresentaram contaminação com um ou mais dos princípios ativos pesquisados. Foram encontrados Benalaxil em 15 poços (51,7%), Bioaletrina em 1 (3,44%), Chlorantraniliprole em 3 (10,3%), Clotianidina em 1 (3,44%), Imidacloprido em 1 (3,44%) e Tiametoxam em 1 (3,44%). Um dos poços apresentou 3 das substâncias pesquisadas. Todos os 6 princípios ativos apresentam classificação toxicológica número III (medianamente tóxico) e fazem parte da classe dos fungicidas ou inseticidas, que podem trazer danos à saúde humana. Vacaria é o município maior produtor de maçãs do RS e o segundo maior do país, e sua plantação de grãos está em segundo lugar, o que justifica a aplicação de agroquímicos, que acabam contaminando as águas subterrâneas. A real gravidade dos resultados desse estudo não pôde ser quantificada pela falta de regulamentações sobre o assunto. De qualquer modo, a simples presença dos princípios ativos que fazem parte da formulação de agroquímicos já serve de alerta para a população que consome essa água, para os responsáveis pelas plantações, para aqueles que fazem o uso dos solos e para as autoridades que controlam e fiscalizam a qualidade da água deste município. Esse trabalho visa ressaltar a necessidade da inclusão destes compostos no monitoramento da qualidade da água e incentivar a amplificação das pesquisas na área como forma de avaliar o comportamento destes compostos no ambiente.

Palavras-chave: Poços tubulares, Princípios ativos, Agrotóxicos