PERCEPÇÃO DOS AGRICULTORES FAMILIARES QUANTO AOS MALEFÍCIOS DOS AGROTÓXICOS NA CULTURA DO ALHO E DA UVA NO MUNICÍPIO DE SÃO MARCOS/RS

Autor(es): Ana Sara Parizzotto da Silva
Orientador: Nilva Lúcia Rech Stédile
Quantidade de visulizações: 29

Percepção dos agricultores quanto aos malefícios dos agrotóxicos
Nas últimas décadas vários estudos têm sido desenvolvidos para identificar a relação entre o uso de agrotóxicos e o aparecimento de sinais e sintomas de intoxicações agudas (cefaleia, dores abdominais, náuseas, vômitos, entre outros) e intoxicações crônicas, que se manifestam na forma de doenças como cânceres, insuficiência hepática, insuficiência renal. O objetivo deste estudo foi analisar a percepção dos agricultores e agricultoras que cultivam alho e uva no município de São Marcos/RS quanto aos malefícios dos agrotóxicos. Trata-se de um estudo documental, cujos dados foram retirados do banco de dados do projeto “O Uso de Agrotóxicos na Agricultura Familiar e Suas Implicações à Saúde dos Agricultores e à Saúde Ambiental”. A amostra até o momento foi composta por 139 agricultores. Dos entrevistados, 93,5% residem no local de trabalho, a carga horária semanal trabalhada mais prevalente foi de 50 a 60 horas, que corresponde a 23,02%. Numa escala de 0 a 10, relacionada à percepção dos agricultores sobre os malefícios dos agrotóxicos, sendo 0 “nenhum mal” e 10 representando “muito mal”, os resultados mostram que 34,5% responderam entre 0 a 5 e 65,5 % classificam entre 6 a 10, ou seja, a maior parte dos entrevistados percebem que o agrotóxico pode fazer mal à saúde. Apesar disso, 96,4% utilizam EPIs e destes 7,2% não realiza a lavagem; para o seu descarte, 48,9% queimam; 28,7% jogam no lixo; 13,7% devolvem; 3,5% guardam; 0,7% enterram e 4,4% não sabem. Destaca-se que 93,5% afirmam tomar banho após a aplicação. Diante dos resultados encontrados, conclui-se que é extremamente necessário a implantação de medidas de conscientização quanto às consequências dos agrotóxicos em relação à saúde humana e ambiental e quanto ao manejo dos EPIs após a sua utilização, e que a percepção dos agricultores pode ser um fator que favoreça a manutenção de comportamentos inadequados no seu manejo.

Palavras-chave: Agrotóxicos, Efeitos de agrotóxicos, Equipamentos de proteção individual