CARACTERIZAÇÃO DA MULHER AGRICULTORA EXPOSTA A AGROTÓXICOS NO MUNICÍPIO DE SÃO MARCOS / RS

Autor(es): Laura Baticini Montanari
Orientador: Nilva Lúcia Rech Stédile
Quantidade de visulizações: 42

 MULHER AGRICULTORA EXPOSTA A AGROTÓXICOS NO MUNICÍPIO DE SÃO MARCOS / RS
No Brasil, a utilização de agrotóxicos vem crescendo anualmente. Desde o ano de 2008, o país vem liderando o ranking mundial de maior consumidor de agrotóxicos (CARNEIRO et al., 2015). O seu uso inadequado e seu crescimento representa riscos à Saúde Pública, por afetar concomitantemente seres vivos e meio ambiente, aumentando o risco de contaminação e intoxicações por agrotóxicos. O objetivo desse estudo foi caracterizar as mulheres agricultoras que cultivam alho e uva no município de São Marcos/RS e identificar o número de abortos e filhos com deficiência das mesmas. O enquadre metodológico pode ser referido como documental, baseado em dados provenientes do banco de dados do Projeto “O uso de agrotóxicos na agricultura familiar e suas implicações à saúde dos agricultores e à saúde ambiental”. A pesquisa documental, baseada em Sá-Silva, Almeida e Guindani (2009), caracteriza-se pela análise preliminar das entrevistas semi-estruturadas, identificação de informação de interesse, organização e interpretação dos dados, sintetização das informações e interpretação. Trata-se de dados parciais de 76 agricultoras familiares do município de São de Marcos/RS. As entrevistadas tinham idade entre 19 e 84 anos, sendo que a faixa etária mais prevalente foi de 54 a 59 anos (22,3%), seguidas 49 a 54 anos (15,8%) e 64 a 69 anos (4,5%). Observou-se que 80,3% dessas mulheres possuíam o ensino fundamental incompleto, 11,8% ensino médio completo, 4% ensino médio incompleto, 2,6% ensino fundamental completo, e apenas uma minoria de 1,3% apresentam ensino superior. Residem no local de trabalho 96% das entrevistadas, sendo que as outras 4% vivem em áreas afastadas do ambiente laboral. Em relação ao aborto 22,3% das agricultoras referiram ter sofrido, totalizando 27 abortos entre as mesmas. Além disso, 1,3% relataram ter filhos com deficiência. Diante dos resultados e dos riscos que os agrotóxicos representam para as mulheres, mostra-se necessário medidas de conscientização e educação ambiental referentes ao risco da exposição aos agrotóxicos, direta ou indiretamente.

Palavras-chave: Agricultura Familiar, Agrotóxicos, Mulheres Agricultoras