Análise da ocorrência e evolução do parvovírus em animais silvestres

Autor(es): Bianca Sandrin Saim , Sabrina Bertolazzi, Weslei Santana, Michele Lencina, Júlia Facchin Tronca,
Orientador: André Felipe Streck
Quantidade de visulizações: 25

ANÁLISE DA OCORRÊNCIA E EVOLUÇÃO DO PARVOVÍRUS EM ANIMAIS SILVESTRES
Dentre as patologias que afetam carnívoros selvagens no mundo inteiro, 56% constituem-se de doenças virais. Além disso, doenças que inicialmente afetavam somente animais domésticos estão sendo constatadas também em animais silvestres, incluindo a infecção por parvovírus. O agente causador da parvovirose é o parvovírus canino (CPV-2), o qual leva a uma grave enterite e miocardite em cães jovens. O vírus surgiu na década de 1970 como um novo patógeno de cães e está correlacionado com o vírus da panleucopenia felina (FPV). No Brasil, a maioria dos estudos sobre  o CPV-2 em animais silvestres são levantamentos sorológicos que mostraram a presença do vírus em espécies como cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), cachorro-vinagre (Spethos venaticus), mão pelada (Procyon cancrivorus), jaguatirica (Leopardus pardalis) e onça-parda (Puma concolor). A infecção de carnívoros selvagens por protoparvovírus parece ser um fator chave na origem e evolução do CPV. Neste sentido, vários protoparvovírus têm sido isolados ou detectados em uma grande variedade de hospedeiros pertencentes à ordem Carnívora, indicando que a transmissão entre espécies é frequente e provavelmente epidemiologicamente relevante na evolução desses vírus de DNA. A introdução contínua de animais domésticos e circulação de humanos em ambientes anteriormente selvagens aumentam as chances dessa transmissão, que pode se dar por contato direto (pela via oronasal a partir de fezes contaminadas com o vírus), pela predação de carnívoros menores e através de fômites por longas distâncias. As relações filogenéticas entre isolados de CPV-2 de cães e vírus de gatos (FPV), minks (MEV), guaxinins (RPV), cães-guaxinins (RDPV) e raposas-do-ártico (BFPV) mostraram que todos os CPVs são derivados de um único ancestral comum e que as cepas são semelhantes a vírus de diferentes animais selvagens, incluindo guaxinins e raposas. Com isso, este trabalho de revisão visa compilar informações sobre infecção por parvovírus em animais silvestres. Desta forma, poderão ser observados os padrões dessas contaminações, as principais espécies afetadas e tentar correlacionar a contaminação entre animais silvestres e domésticos. 

Palavras-chave: Parvovírus, Silvestres, Evolução viral